Um dos laboratórios da Escola Técnica Estadual “Professor Carmelino Corrêa Júnior” - Colégio Agrícola - ganhou em 2011 um novo material para os experimentos feitos pelos alunos e professores. Peles de rã-touro doadas por frigoríficos de São José dos Campos (SP) e Goiás passaram a ser usadas em testes de curtimento. Os experimentos fazem parte do projeto Courotec (Tecnologia em Couro), desenvolvido desde 2005 com o objetivo de descobrir agentes para o curtimento de peles menos agressivos que o cromo. Este é o produto mais usado nos processos de curtimento, mas por ser um metal pesado pode provocar danos à saúde humana, pois possui agentes cancerígenos.
O projeto “Curtimento de peles: rã-touro viabilidade técnica” é coordenado pelas professoras Valdete Pereira e Eliane Aparecida Basali Rocha e tem a participação das alunas Kivia Aranha, Marcela Fernandes e Lilian de Souza. “A ranicultura é um mercado promissor no Brasil e conseguimos parcerias para que os frigoríficos nos doassem as peles e iniciamos os testes. Temos tido bons resultados. É uma busca pela sustentabilidade”, disse Eliane.
Para o curtimento são usados taninos vegetais de cascas de árvores e uma resina menos poluente que o cromo. No laboratório, os testes também são feitos com esse agente para comparar o produto final nos quesitos maleabilidade e resistência, por exemplo.
O Courotec realiza pesquisas com peles de outros animais, também de pequeno porte. Na primeira fase, alunos do ensino médio e do curso de técnico em curtimento transformaram peles de coelho em matéria prima. No Colégio Agrícola, os animais são criados e servidos nas refeições dos alunos e funcionários. A pele era descartada até que se tornou objeto de pesquisas.
EXPANSÃO
Os primeiros experimentos com os coelhos foram em 2005. No ano seguinte, começaram os testes com a pele de tilápia para saber a viabilidade de fazer o curtimento sem cromo. Os resultados foram positivos e, em 2009, o Colégio Agrícola oficializou as pesquisas com o material. As peles são tingidas de roxo, verde, coral, vinho e já foram testadas por empresários na confecção de acessórios. Bolsas, sandálias, carteiras femininas e colares foram confeccionados com couro de tilápia.
A pele dos peixes é fornecida por frigoríficos. Um deles, de Garça (SP), chegou a comercializar as peles curtidas em Franca com o Japão. A expectativa é que as peles de rã tenham o mesmo uso. “Fazemos os testes para saber a viabilidade dos empresários utilizarem esses materiais e aplicar o uso de outros agentes diferentes do cromo na matéria-prima bovina, que é a mais usada”, disse a estudante Mayara Mayra Silva Cintra, 16, que participa do projeto “Performances de agentes de curtentes ecológicos no curtimento de peles de peixes tilápias II”.
Em 2012, o Courotec deve ganhar novas frentes. Peles de pirarucu, pintado e carneiro devem ser usadas nas pesquisas.