A tecnologia se reinventa a cada momento e o que é novidade hoje se torna ultrapassado amanhã. Empresas se dedicam dia e noite a aprimorar seus produtos para sobreviver a concorrência mas, mesmo assim, nenhuma delas ergueu a legião fãs que a Apple arrasta há alguns anos.
Seja por sua tecnologia de ponta, pelo conceito criado sobre a marca ou por seu líder carismático de jeans azul e camiseta preta, a Apple conseguiu uma identificação afetiva com seu consumidor. Pessoas acampam em frente às sua instalações para adquirir, conhecer, apalpar em primeira mão seus produtos.
Um dos precursores dessa revolução foi Steve Jobs, que morreu na última quarta-feira, 5, com um câncer raro no pâncreas. O co-fundador da Apple, umas das maiores empresas de informática do mundo, nasceu em 24 de fevereiro de 1955 na Califórnia, EUA. Foi criado por pais adotivos que, mesmo não possuindo recursos financeiros, prometeram à mãe biológica de Jobs condições para que ele cursasse o ensino superior quando chegasse a hora.
Jobs passou apenas seis meses na universidade Reed College, mas foi lá que fez um curso de tipografia usado tempos depois como base para a criação de fontes trabalhadas e com padrão de espaçamento introduzidas no Macintosh. O Macintosh, a propósito, foi um dos primeiros computadores pessoais de sucesso e que utilizou a interface guiada pelo mouse.
Uma das passagens importantes da vida do visionário foi sua demissão da empresa que ajudou a fundar. A Apple foi criada quando Jobs tinha ainda 20 anos em parceria com seu amigo Steve Wazniak na garagem de seus pais. Em 10 anos, a empresa já valia US$ 2 bilhões e empregava cerca de 4 mil pessoas.
Foi nesta época que Steve se desentendeu com a diretoria da Apple e deixou de ser parte do grupo. Triste, não? Não. Com dinheiro e idéias inovadoras, o prodígio criou a Next- empresa que desenvolvia plataformas direcionadas para o mercado de educação superior e administração - e a Pixar- produtora de filmes criados por computação gráfica.
Por incrível que pareça, a Apple comprou a Next e Jobs voltou em 1997 ao comando da empresa que fundou.
Já a Pixar produziu Toy Story, primeiro filme animado por computador e hoje é um dos estúdios mais bem sucedidos do mundo. Pela Pixar, Jobs se tornou o maior acionista individual da Disney, que incorporou a produtora.
Desde que foi fundada, Apple e Jobs já lançaram cerca de 100 produtos que mudaram conceitos de tecnologia. Tablets, smarthphones, computadores, enfim, coisas impensáveis há 10 ou 15 anos e que hoje não nos imaginamos sem elas.
Neste ano, depois da terceira licença médica concedida a Jobs, a direção da empresa foi passada para Tim Cook, que está desde 1998 no quadro de funcionários.
“Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem chegar ao paraíso não querem morrer para estar lá. Mas, apesar disso, a morte é um destino de todos nós. Ninguém nunca escapou. E deve ser assim, porque a morte é provavelmente a maior invenção da vida. É o agente de transformação da vida. Ela elimina os antigos e abre caminho para os novos”, disse Steven Paul Jobs.