Aviões que voam sozinhos e são capazes de fotografar e filmar extensas áreas sendo comandados por computadores. A tarefa que parecia tema de filme de ficção científica já é realidade para empresas de Franca e São Carlos que trabalham em parceria na produção dos aviões não tripulados para mapeamento de áreas agrícolas, monitoramento ambiental e voos em áreas de risco. Voltada para o mercado civil desde agosto, a parceria resultou na venda de 15 aviões em 45 dias.
Conhecidas pela sigla Vant (Veículos Aéreos Não Tripulados), as aeronaves já tradicionais em países que investem em tecnologia militar como Estados Unidos, Israel e França, começaram a ser desenvolvidas no Brasil há 5 anos.
Um dos fatores de destaque dos Vants é sua flexibilidade de uso. Eles permitem o acoplamento de equipamentos periféricos, de acordo com a necessidade da missão. Câmeras fotográficas, filmadoras ou radares podem ser conectados para o mapeamento de linhas de alta tensão, áreas de desmatamento, levantamento geográfico, além da possibilidade de contagem de cabeças de gado ou localização de pessoas desaparecidas.
Fundada em 2001, a empresa francana Aeroálcool desenvolve produtos aeronáuticos e decidiu investir na produção da fuselagem para Vants. “A necessidade existe em nível mundial. Os Vants vieram com a evolução do sistema eletrônico, assim é possível dar estabilidade e precisão ao voo”, explica Omar Pugliesi, engenheiro aeronáutico e sócio-proprietário da empresa.
Enquanto os francanos produzem a estrutura da aeronave, a AGX Tecnologia, de São Carlos, desenvolve o sistema eletrônico capaz de comandar o avião de forma computadorizada. A programação permite que o voo seja inteiramente programado, inclusive pousos e decolagens.
Buscando monitoramento ou mapeamento de áreas extensas, empresas do setor agrícola e ambiental são as mais interessadas pela tecnologia.
Recentemente foram vendidas aeronaves para a Polícia Ambiental de São Paulo, que tem nos Vants um aliado para controle de áreas devastadas e reservas ambientais.
De acordo com Adriano Kancelkis, diretor da AGX, os aviões têm preço inicial de R$ 30 mil e levam de 45 a 60 dias para serem produzidos.
NOVA TECNOLOGIA
O crescimento do mercado faz com que as empresas busquem espaço no exterior e invistam em pesquisa tecnológica. Um novo projeto em parceria com a empresa de radares Orbisat, em Campinas, desenvolve um Vant de porte médio que deve sair do papel no ano que vem. A novidade é que o modelo é capaz de tomar decisões de acordo com a situação. “O piloto automático tem condições de entender que o tempo mudou e, se necessário, retornar para a base ou abrir um paraquedas para um pouso de emergência”, diz Kancelkis.