Olhada do ponto de vista material, uma criança é apenas uma pessoa em miniatura. Assim como o broto vem a ser árvore, na criança está um adulto em desenvolvimento. Como se trata de ser essencialmente espiritual ainda na fase de realização humana, segundo alguns, é à sociedade que compete moldar-lhe o caráter.
Os processos educativos, todavia, apresentam-se um tanto mais complexos, porquanto os agentes ativos da educação hão de ser a família, com base orientativa nos pais, ou outros responsáveis, e a influência da participação escolar. O trabalho é também de grande importância, apresentando-se só depois a vivência social.
Entrementes, admitir-se-ia a indagação: do ponto de vista espiritual, o que é uma criança? Seria um espírito criado por Deus no ato do nascimento, para vivenciar uma curta experiência material, mas em demanda da eternidade? Não. Se assim fosse, onde estariam as causas dos defeitos físicos, doenças, aberrações do caráter? Nos pais? Também não. Fosse assim e o poder da genética, criada por Deus, seria maior que o do próprio Criador.
Segundo o ensinamento espírita, a criança, num planeta como o nosso, pertencente ao segundo degrau na ordem dos mundos, é um espírito milenar que já viveu muitas vidas, trazendo, gravados em seu arquivo perispiritual, os atos bons e maus que haja praticado no pretérito. E é ele mesmo o responsável pelas situações com que há de defrontar-se na busca do seu aprimoramento moral.
Demais, impõe-se-nos considerar que, por obra da misericórdia divina, não nos lembramos de todas as iniquidades que tenhamos praticado, a fim de podermos iniciar cada existência com maiores chances de triunfo.
Contudo, trazemos para cada encarnação, as tendências, inclinações, o potencial que conseguimos amealhar ao longo de todas as jornadas já vivenciadas. Não que a hereditariedade não exerça influência, porque esta é implacável e está sempre presente sob o império absoluto da Justiça Divina que. infinitamente sábia e justa, estabeleceu a lei de afinidade, ou atração vibratória, segundo a qual cada indivíduo há de atrair para si justamente o que corresponda à natureza de suas obras. É como a colheita que, implacavelmente, corresponde à semente lançada.
É assim que o papel de educador manifesta-se naturalmente de ascendentes a descendentes, na condição de inarredável cumprimento de expressão injuntiva das Leis de Deus. Cada geração transmite à seguinte os valores culturais característicos de seu povo. Vê-se que, inobstante reconheça-se tratar-se de encargo sócio-governamental, mas é, sobretudo, aos pais que cabe transmitir os valores morais na formação do caráter dos filhos.
É, então, que se tornam obrigatórios o carinho, o afeto, a abnegação, o amor, a par da renúncia ao imediatismo, personalismo, individualismo, consumismo e, sobretudo, aos vícios degradantes.
Por isso, disse-nos o Mestre Jesus: ‘Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo...’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca - IDEFRAN