Pensei em usar a palavra tsunami para me referir à sua chegada, entre vibrantes bons-dias e boas-tardes -onda de alegria que vem súbita, volumosa, engolindo todas as outras possibilidades audíveis. Mas direi vendaval, porque maritacas são elementos dos ares, não dos mares; coloridos, alados e emplumados navegadores do espaço, do visível ao atômico. E parecem movidas a luz solar. Despertam e saem dos abrigos, em estridentes bandos, aos primeiros raios, e, aos últimos, voltam em bandos estridentes, e nos abrigos se recolhem.
Pois bem, esses alados, emplumados, coloridos elementos aéreos guardam uma particularidade que eu desconhecia, e que me faz repensar as manhãs e as tardes vividas ao som e às cores de suas encantadoras figuras.
Acontece que As maritacas, além do allegro vivace, movimento interpretado por coro de plumas e asas em cantos aluviônicos, apresentam ainda uma abertura em prestíssimo, executada por bicos não menos vendaválicos (ou tsunâmicos). O fato, descobri-o esses dias, quando o interfone parou de funcionar. Chamado, chega o socorro. Diagnóstico e tratamento são revelados: fios rompidos por possantes bicadas (de maritacas, assegurou-me o técnico). O recurso: transplante.
Sou uma pacífica perscrutadora - e admiradora - de alvoreceres e entardeceres cantantes. Mas, diante disso, passo a encarar de outro modo manhãs e tardes povoadas por essas dúbias criaturas. Providencio maior proteção para os fios, porque os turbilhões sonoros, coloridos (e bicudos) desses espécimes esplendidamente dúbios, ah!, como alvorecer e entardecer sem eles?
Que venham as maritacas!