08 de julho de 2026

Pedofilia


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A palavra pedofilia tem origem grega. Entre algumas aproximações, podemos traduzi-la como ‘amor ou gosto por crianças’, sem nenhum significado patológico. O pedófilo seria uma espécie de ‘amigo da criança’. Na antiguidade grega talvez fizesse sentido. Lá, a iniciação sexual de uma criança acontecia por meio de um adulto. Nos dias de hoje, porém, tal significado carrega conotações deprimentes.

Abusar de uma criança, de sua fragilidade, inocência ou ingênua curiosidade não deveria mais ter lugar na sociedade contemporânea. Os desígnios da alma humana, no entanto, não respeitam totalmente os imperativos da razão. Apesar de vivermos em uma sociedade cada vez mais esclarecida e informada, ainda nos deparamos com aberrações como essas.

Reportagem publicada pelo Comércio no domingo, 02/10, de cada dez casos de pedofilia, oito acontecem dentro de casa. No seio da família, onde deveriam estar mais protegidas, é justamente ali que as crianças correm os maiores riscos de serem abusadas, um perigo que se esgueira sorrateiramente por quartos e corredores.

Por se dar na intimidade do lar, inclusive, esse ato de extrema covardia carrega ainda um agravante. Seu combate torna-se muito difícil. Em função dos laços familiares, das dependências e ameaças, bem como da confusão de sentimentos que envolve seus protagonistas, as denúncias não são feitas com a devida presteza. Em alguns casos, inclusive, nem aparecem, o que contribui para que esses abusos permaneçam escamoteados e se reproduzam com certa facilidade.

Nesse sentido, é preciso que toda a sociedade reflita sobre novas formas de combater essa perversidade. Por um lado, seria oportuno desenvolver um trabalho de conscientização mais eficiente junto às crianças e suas mães, tendo em vista que a imensa maioria dos abusos é cometida por homens. Sobretudo nas escolas, é preciso informá-las sobre os procedimentos que devem seguir caso venham a ser vítimas de tais abusos.

Por outro, seria necessário rever nosso código penal. Atualmente, ele é muito brando. A lei pune o contato sexual entre crianças e adultos, enquadrando-o juridicamente nos crimes de estupro (art. 213 do Código Penall) e atentado violento ao pudor (art. 214 do Código Penal), agravados pela presunção de violência prevista no art. 224, ‘a’, do CP, ambos com pena de seis a dez anos de reclusão.

É pouco. A maioria dos casos de abuso sexual de crianças não se explica pela doença pedofilia, mas sim pela covardia do abuso e da violência. Não se explica por transtornos de personalidade ou de comportamento, conforme considerado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), mas sim pela perversão de indivíduos que por algum motivo acharam mais fácil fazer sexo com crianças, seja enganado-as ou utilizando de intimidação ou força. É covardia pura.