O que antes os francanos assistiam apenas pela televisão, agora já está disponível ao vivo e em cores nas ruas e esquinas da cidade, sobretudo aquelas próximas às escolas.
É um cenário preocupante, além de triste. Adolescentes fumando maconha em plena luz do dia, em região central da cidade, indiferentes às pessoas e às normas do convívio social. Meninas constrangidas por tarado que além de mostrar sua genitália as ameaça de estupro. Crianças de 10 ou 11 anos agredindo-se de forma excessiva.
Essas cenas, passadas na porta da EETC (Escola Estadual “Torquato Caleiro”), como mostra reportagem publicada pelo Comércio na quinta-feira, 29/09, deveriam nos obrigar a profundas reflexões. A violência que hoje incomoda os moradores e comerciantes da região, bem como os pais e os alunos que ainda enxergam na escola um espaço de preparação para o futuro, talvez amanhã comece a se alastrar por outros pontos da cidade.
E a situação não será facilmente resolvida. Nas últimas décadas, a escola vem se transformando em uma espécie da catalisadora da violência juvenil e de vários delinqüentes voltados para a perversão de crianças e adolescentes. Se antes era espaço de sociabilização e aprendizado, hoje está se tornando refém das drogas, brigas e muitos outros tipos de constrangimentos.
Essa violência, no entanto, não pode ser reputada apenas à escola. O buraco é mais em baixo. Ela é social, reflexo de uma sociedade urbana cada vez mais individualista e narcisista. Uma sociedade em que os elos sociais respeitam mais as relações de amizade e de interesse do que as normas públicas da convivência democrática.
Jovens que se excedem em uma liberdade já bastante excessiva. Crianças que tudo pedem e quase tudo podem. Famílias que se desestruturam e se abandonam.
Um mundo que aparenta mais tolerância, mas que se mostra bastante intolerante em seu cotidiano intensamente violento. Uma sociedade que em sua evolução acabou priorizando mais a liberdade e a igualdade, esquecendo-se um pouco da fundamental fraternidade.
O problema talvez esteja exatamente nesse ponto. Como a liberdade hoje vivenciada pela sociedade contemporânea foi conquistada com grandes sacrifícios, muitos ainda vivem em uma espécie de desforra, ‘lambuzando-se’ em exageros travestidos de direitos.
O viver em liberdade requer fundamentalmente a percepção do limite dessa mesma liberdade. Nunca a conquistaremos totalmente se não respeitarmos o equilíbrio que se impõe entre os nossos direitos e os dos outros.
Nesse sentido, parece que estamos chegando a um impasse. Ou começamos a fazer valer o contrato social, com todas as obrigações e direitos que perpassam os governos e a sociedade civil, ou teremos sérios problemas em deter o recrudescimento dessas ações.