Pelo segundo dia consecutivo, os francanos voltaram a sofrer com a falta d’água. A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) interrompeu o fornecimento porque um dos rios que abastecem Franca, o Córrego Pouso Alegre, está com volume muito abaixo do normal por causa da estiagem. Com o calor excessivo, o consumo de água também aumentou muito. Ao longo do sábado, 51,3 mil ligações ficaram sem abastecimento em diferentes períodos do dia. O corte afetou 166.725 pessoas - considerando a média de 3,25 moradores por domicílio estabelecida pelo IBGE. Na sexta-feira, mais imóveis haviam ficado com as torneiras secas. O primeiro dia de racionamento atingiu 32 mil ligações. A Sabesp não descarta desabastecimento neste domingo.
No sábado, os cortes avançaram para outras partes da cidade. Além do Jardim Ângela Rosa, Noêmia e complexo Aeroporto que já haviam ficado sem o fornecimento na sexta, bairros da zona norte, como Leporace, Vera Cruz, Portinari e Tropical, tiveram interrupções. “Desligamos os reservatórios pela manhã e as casas ficarão por até 12 horas sem água. A previsão é religá-los no começo da noite e até de madrugada o abastecimento ser normalizado”, disse no sábado à tarde o gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia.
Às 14 horas foi interrompido o fornecimento de água em mais 12,2 mil casas nos bairros São Joaquim, Santa Helena e Piratininga. Nessas residências, a expectativa era que o abastecimento voltasse até a noite de sábado. Nas 23 mil casas que estavam sem água desde a manhã, a água começou a voltar no fim da tarde. Às 18 horas, começou o racionamento em 6,5 mil casas da região da Capelinha, parte do Paulistano, Panorama e São Francisco. Outras 5,1 mil ligações foram interrompidas também no bairro Boa Esperança, Vila Teixeira, Betânia, parte da Cidade Nova, Baldassari, Jardim América e parte do São José. Além de 4.575 casas da região baixa do Santa Cruz, Vila França, Vila Industrial, Veneza, Santa Rita, Samelo Woods, Parque Castelo e Jardim Lima. A previsão era para a normalização a partir das 5h de domingo.
O reservatório do Pouso Alegre está operando com duas das três bombas e em sistema de rodízio. Além da baixa na vazão do rio, o uso está exagerado. Segundo Rui, na sexta-feira a Sabesp produziu 78 milhões de litros. O consumo normal da cidade é de 70 milhões, mas ainda assim faltou água.
Neste domingo, as equipes da Sabesp irão monitorar o volume de água nos reservatórios e o consumo. Novos cortes poderão acontecer. Aos domingos, embora as pessoas estejam em casa, o consumo costuma ser menor. “Há previsão de chuva, o que pode ajudar. Mas se o nível nos reservatórios baixar muito, faremos intervenções”, disse Rui, sem especificar quais bairros podem ser atingidos pelo racionamento.
DIFÍCIL
A lavradora aposentada Leonice Ferreira, 55, mora no Jardim Santa Bárbara com a filha, o genro e três netos de 11, 6 e 5 anos. Desde a tarde de sexta-feira até 10 horas de sábado estava com as torneiras secas. “A casa está suja e as louças e roupas todas para lavar. A gente teve que tomar banho na casa da minha outra filha. Ficar sem água é difícil demais, ainda mais nesse calor. Não tem jeito.”
Na tarde de sexta-feira, a costureira manual Maria Aparecida Furtado, 53, foi surpreendida com a falta d’água ao tentar encher um balde para passar pano na casa. Na madrugada de sábado, às 5 horas, ela escutou a caixa d’água enchendo e se levantou para lavar as roupas, mas teve de interromper o serviço. “Fui rapidinho lavar, mas tive de parar porque por volta das 6 horas acabou a água de novo.”
O gerente da Sabesp, Rui Engrácia, voltou a ressaltar a importância de os moradores terem caixa d’água em seus domicílios para garantir pelo menos 24 horas do consumo em casos de racionamento.
Colaborou Ana Catarina Prebill