Acostumadas a atender vítimas de pedofilia, a psicóloga da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Fabiana Zagolin, e a conselheira tutelar Glaúcia Limonti disseram que a família precisa estar atenta ao comportamento das crianças e adolescentes para perceber qualquer sinal de violência sexual. As vítimas de abuso sexual costumam ficar mais quietas ou agressivas.
“Algumas crianças não querem que a mãe dê banho ou troque suas roupas e também apresentam problemas na escola”, disse Fabiana.
Gláucia acredita que o diálogo pode auxiliar na descoberta de crimes sexuais. “Se as mães forem próximas dos filhos e falarem sobre sexualidade, as crianças se sentirão com mais liberdade para tratar do assunto e, se acontecer algo errado, irão comunicar.”
Estar atento ao relacionamento dos adultos com as crianças e adolescentes também é uma atitude importante. “A gente se casa e nunca pensa que o pai vai abusar da própria filha, mas é preciso observar a relação deles. E, se for padrasto, orientamos que as mulheres conheçam um pouco melhor o companheiro antes de colocá-lo para morar em casa”, disse a psicóloga.
Fabiana também alerta quem sente atração sexual por crianças. “Elas sofrem de um desvio sexual e de conduta e precisam de tratamento. Qualquer pessoa que sentir desejo de ter relação sexual ou praticar atos libidinosos com uma criança tem que procurar ajuda profissional bem rápido.”
Normalmente, as vítimas não revelam os abusos porque são ameaçadas e isso tende a agravar a situação. “Por causa das ameaças de agressão e de morte, elas não contam sobre os abusos, eles se tornam uma rotina e acabam ganhando proporções maiores. O autor começa passando a mão nas partes íntimas e com o tempo pode consumar o ato sexual”, disse Fabiana.
As vítimas de crimes sexuais passam por atendimento psicológico na DDM e depois são encaminhadas para acompanhamento gratuito nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). “O atendimento é feito para ajudá-las a lidar com o trauma e trabalhar os conflitos internos que têm”, disse Fabiana.