O clima tenso da sessão de quinta-feira, em que os vereadores aprovaram o pacotão de aumentos, não terminou com o fim das votações. Ultrapassou os limites da Câmara e virou caso de polícia. Logo após a reunião (veja como os vereadores votaram em quadro nesta página), a empresária Viviane Araújo foi ao Plantão e prestou queixa contra Jépy Pereira (PSDB). Ela afirmou que foi ameaçada pelo parlamentar.
Viviane acompanha com frequência as sessões e divulga as informações em seu perfil no Facebook. Liderou um movimento entre os seguidores na rede para protestar contra os aumentos. Nas últimas semanas, foi ao plenário e ajudou a exibir faixas com mensagens repudiando os projetos.
Quinta-feira, foi à Câmara com uma faixa sugerindo aos vereadores que fizessem greve para conseguirem o aumento. O protesto quase solitário - ela estava acompanhada de outras duas pessoas - não teve o efeito desejado. O rolo compressor passou por cima das opiniões contrárias e todos os reajustes pretendidos pelos políticos foram aprovados.
Após a votação, Jépy Pereira foi à tribuna justificar o voto favorável e fez críticas ao tratamento dado pela imprensa sobre as polêmicas votações. Também atacou a cobertura alternativa feita por Viviane. “Ele fez comentários em tom de ameaça. É uma situação grave e, por isso, resolvi registrar um BO para me preservar. É um representante da população ameaçando uma cidadã que estava exercendo seus direitos de protesto pacífico.”
A empresária relatou que, em princípio, o vereador fez referências à família dela e disse que sabia onde moravam. Em seguida, teria se dirigido diretamente a ela. “O Jépy fez muitos deboches ao não comparecimento da população ao plenário para protestar. Ele falou que é uma pessoa extremamente maquiavélica. Eu pedi para ele falar na minha cara o que iria fazer comigo. Ele respondeu que no momento oportuno eu ficaria sabendo.”
A discussão entre Jépy e Viviane provocou a suspensão da sessão por cinco minutos. Os trabalhos foram encerrados logo em seguida. O vereador foi embora. A empresária foi para a delegacia. “Isto, é uma ditadura: ser ameaçada por se opor ao aumento que eles estavam reivindicando.”
Jépy Pereira alega que vem sendo perseguido por Viviane na rede de relacionamentos. “Ao invés de se dirigir a todos os vereadores, ela só faz críticas à minha pessoa. Há poucos dias, ela veio à Câmara com uma faixa nos chamando de ladrões. O sangue vai esquentando. Ao justificar o voto, eu falei mesmo que, se necessário, eu iria para o confronto. Ela quer é palco (sic). É uma pessoa inútil, nula, que sequer consegue reunir as pessoas que reúne na internet.”
Antes de se dirigir a Viviane, Jépy Pereira também atacou uma equipe da EPTV que acompanhava a sessão. Disse que a emissora só vem a Franca para divulgar coisas negativas e sugeriu aos jornalistas que denunciassem as irregularidades que acontecem na Câmara de Ribeirão Preto.
Jépy não foi o único a querer cercear o trabalho da imprensa. No começo da sessão, o petista Paulo Afonso tentou intimidar jornalistas do Comércio após ser flagrado fazendo pesquisas sobre os conflitos na Síria e na Líbia durante a votação do projeto que aumentava os salários dos vereadores. “Eu não sou o Pastor Otávio. Vocês vão se ver comigo se divulgarem isto”, esbravejou com o dedo em riste. Ele fez referência à publicação no Comércio de uma foto no último dia 16, mostrando que o pastor fazia uma pesquisa na internet sobre o Guaraná Jesus durante a sessão.
Clique na imagem para ampliar: