10 de julho de 2026

Crise afeta varejo e derruba as ações do Magazine Luiza


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Perto de completar cinco meses de atuação na Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo), as ações do Magazine Luiza amargam uma queda de 24%. No final da tarde de ontem, fecharam sendo vendidas a R$ 12,15. Quando o grupo estreou na bolsa, em maio deste ano, cada ação valia R$ 16.

Para o economista e analista de mercado, Ricardo Borges, da Projeção Corretora, a baixa é reflexo da crise mundial provocada pelas incertezas da economia americana e pelas dificuldades de países europeus em honrar seus compromissos. “Não é uma queda isolada, específica do Magazine Luiza. Diante do cenário internacional, todo varejo vem sofrendo.”

Com a crise, captar recursos internacionais para financiar o crédito fica mais difícil. Sem financiamento, não há como os parcelamentos tão comuns serem mantidos pelas redes varejistas. “Faz dois meses que os bancos brasileiros não conseguem recursos fora. Numa análise futura, é possível que as regras para concessão de crédito mudem, o que afetaria o varejo. Essa incerteza acaba se refletindo na bolsa.”

Outro fator que também afetou a cotação das ações do Magazine foi o crescimento da inflação e, consequentemente, da taxa de inadimplência. “A inflação tem aumentado a inadimplência e, quando isso acontece, o primeiro setor a ser afetado é justamente o varejo. Entre deixar de pagar a prestação do carro ou o carnê do Magazine, a família sempre opta pelo segundo.”

O analista de mercado acredita que a tendência de queda nas ações deva continuar pelo menos até o final do ano. “O momento é de espera. Não é hora de desespero nem de correria. O ideal é o investidor aguardar até que o mercado se estabilize”, aconselha.

O Magazine Luiza disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que, diante da crise mundial, a queda na cotação das ações é normal. “As ações do Magazine Luiza estão entre as que menos caíram do segmento. Quem conhece o mercado de capitais sabe que essa alternância é absolutamente normal. Os nossos acionistas conhecem bem as oscilações de mercado e estão absolutamente tranquilos com seus investimentos.”

PREJUÍZO

Alguns pequenos investidores que aplicaram dinheiro na compra de ações do Magazine já estão preocupados com o prejuízo.

Um ex-funcionário do grupo que trabalhou na empresa por cinco anos e pediu para não ser identificado lamenta a queda e pensa em se desfazer das ações. “Com a minha rescisão, eu comprei R$ 3 mil em ações porque conheci e sei que o Magazine é uma empresa sólida. Mas agora estou com medo de perder ainda mais dinheiro. Se vender agora, pelo menos, fico com R$ 2.250.”