08 de julho de 2026

(Im)passe de estudantes


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Nos últimos meses, o transporte público tem sido motivo de muita discussão. Seja por meio da imprensa, ou por outros fóruns que permeiam o nosso cotidiano, é fácil notar o acirramento desse debate. Ônibus lotado, passagens caras, aumentos indevidos, atendimento ruim e falta de funcionários para a entrega do Passe-Fácil, entre outras reclamações, estão na pauta de todas as conversas em que se discute a qualidade do transporte público francano.

Recentemente, a Câmara Municipal colocou mais de ‘lenha nessa fogueira’. Primeiro com o projeto de lei que fixa em 17 o número máximo de passageiros permitidos em pé. Em função das conseqüências que poderá trazer para o trânsito da cidade e do impacto que trará para o cotidiano das pessoas a proposta repercutiu como pólvora. Logo depois a Câmara divulgou a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para averiguar as denúncias de quebra de contrato e super lotação, o que incendiou ainda mais o debate.

Agora foi a própria empresa que resolveu intensificar a controvérsia. Segundo matéria divulgada pelo Comércio no sábado, 24/09, a São José resolveu limitar o horário dos cartões de estudantes. Agora eles valerão apenas dentro dos horários mencionados nas declarações entregues pelas escolas. Caso estejam fora, o bloqueio na catraca será automático, obrigando o estudante ao pagamento integral da passagem.

O debate deve esquentar novamente. E não é para menos. Tal medida vai impactar na vida de muita gente, pois o ato de estudar não se limita apenas à sala de aula. Em maior ou menor grau, dependendo da escola, exige também o deslocamento de alunos fora do período de sala de aula, seja para realização de trabalhos em grupo, utilização da biblioteca, prática de esportes entre várias outras ações.

O IETC Júlio Cardoso, por exemplo, traz em sua grade curricular a montagem de uma empresa por parte de seus formandos, o que os obriga a vários deslocamentos em busca de patrocínio e apoio pelas empresas da cidade. Nesse caso, por exemplo, como a São José considerará essas viagens? É, sem dúvida, uma questão polêmica que se impõe, uma vez que é absolutamente certo e legítimo que a São José lute pela maximização de seus lucros no âmbito de seus contratos, como de resto o faz qualquer empresa. Mas, ainda assim, não seria válido avaliar os benefícios, inclusive para o marketing empresarial, de se estimular atividades do tipo?

O processo educacional, considerada sua relevância, poderia ser mais amplo do que a planilha de custos da empresa?