Reconhecidamente, a ansiedade crônica e a depressão são as doenças do momento e as causas mais comuns de suicídio. Essas patologias geram na pessoa uma sensação de mal-estar e de desprazer pela vida, e, geralmente, acabam aparecendo de forma concomitante.
É importante destacar que a ansiedade, quando mantida em níveis toleráveis, pode ser considerada uma aliada da pessoa, um estado emocional positivo, uma espécie de aviso, predispondo o organismo e a mente para o enfrentamento de situações conflituosas, porém, naturais da vida.
O ansioso crônico é alguém que vive perturbado pela incerteza ou pelo receio de que algo desagradável, que acontecimentos infelizes e traumáticos vão acontecer. Assim, vive permanentemente infeliz, não encontrando prazer na vida, pois repleto de conflitos interiores, na maioria das vezes inconscientes.
A ansiedade acaba gerando uma sensação desagradável de alerta e de tensão. Vai minando as energias vitais da pessoa que, assim, caminha a largos passos para a depressão.
O interessante é que o ansioso-depressivo fica perturbado com a possível ocorrência de um acontecimento desagradável que, na maioria das vezes – e quase sempre – não acontece.
Consta que uma pessoa que viveu ao longo de sua vida permanentemente em estado de tensão, teria afirmado já no ocaso de sua existência: ‘A minha vida foi povoada por tragédias que nunca vivenciei efetivamente.’
Elas acabam, infelizmente, desencadeando uma série de manifestações físicas e psíquicas, sendo as mais comuns, o mau humor, o desinteresse pela vida, fadiga, insônia, desânimo, falta de concentração, sudorese, excesso ou falta de apetite, diminuição da libido e perda da capacidade laborativa. Já a depressão, os sintomas são tão desagradáveis que fica difícil definir para alguém que nunca a sentiu. Costumo dizer que é como tentar definir a cor lilás, por exemplo, a um cego de nascença.
Especialistas de diversas áreas sugerem causas psíquicas, orgânicas e até espirituais para o aparecimento delas. As mais citadas, no entanto, são as seguintes: estresse, perdas e frustrações, sentimentos de culpa, conflitos interiores e ausência de Deus, dentre outras. Como causa orgânica, pode-se atribuir à diminuição de algumas substâncias no organismo, chamadas de neurotransmissores, como a noradrenalina, dopamina e, principalmente, a serotonina.
Normalmente o tratamento é feito de duas maneiras. A terapia, que apresenta resultados mais demorados, porém, mais efetivos e com menos efeitos colaterais. O outro é com o uso de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos associados. Nesse caso, os resultados são mais rápidos, porém, há riscos de dependência e de retorno aos sintomas após a retirada dos remédios. Em ambos os tratamentos, que devem ocorrer simultaneamente, recomenda-se ao paciente a prática de exercícios físicos.
Penso, porém, que o mais eficaz tratamento dessas doenças, é viver a vida com objetivos e empenhar-se ao máximo para ‘amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo, como a ti mesmo’, na forma preconizada pelo Médico dos Médicos.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca