09 de julho de 2026

Prefeitura arrecada R$ 384 mil com leilão de túmulos


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PROCESSO - O secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, gesticula para organizar o leilão de túmulos

Imagine alguém acordar numa manhã ensolarada de terça-feira, colocar uma roupa elegante e seguir para o cemitério da cidade disposto a comprar um túmulo abandonado em área nobre pelo preço que fosse. Este inusitado programa aconteceu em Franca ontem. O leilão de sepulturas realizado pela Prefeitura atraiu cerca de 70 compradores. Entre os interessados, havia empresários calçadistas, comerciantes e donos de universidade. Eram apenas 14 unidades. Houve disputa acirrada com sucessivos lances. Um lote com preço inicial de R$ 19,3 mil saiu por R$ 65 mil. Juntos, os terrenos renderam R$ 384,7 mil ao município. O leilão foi a maneira encontrada pelo governo municipal para dar nova destinação às sepulturas abandonadas e resolver o problema da falta de vagas no cemitério mais tradicional da cidade. Ao todo, 540 túmulos serão vendidos gradativamente até o fim de 2012.

O primeiro lote de vendas mostrou que o leilão foi uma grande ideia. Sessenta e seis pessoas apresentaram propostas. Às 9 horas, os compradores já se espremiam na pequena capela existente no cemitério para disputar um terreno para o descanso eterno. A revenda é proibida por lei.

O lance mínimo para adquirir cada sepultura era de R$ 500 UFMF (Unidades Fiscais do Município de Franca), o equivalente a R$ 19.325. A elevada demanda inflacionou o mercado. Em média, cada lote custou R$ 27,4 mil. O espaço mais caro no famoso Cemitério Parque do Morumbi, em São Paulo, onde foram sepultados o piloto Ayrton Senna e a cantora Elis Regina, custa R$ 34 mil.

Onofre de Paula Trajano, membro do Conselho de Administração do Magazine Luiza, arrematou um terreno por R$ 30 mil. A presidente do grupo, Luiza Helena, por meio de um representante, garantiu o espaço vizinho por R$ 24 mil. “Compramos dois túmulos próximos para juntar a família que é muito grande. Somos tão unidos e queremos que nossos ossos também fiquem unidos. Vamos unir todo mundo, na terra e no céu”, comentou Onofre.

A família do empresário calçadista e presidente da Associação dos Empreendedores de Loteamentos de Franca, Jorge Félix Donadeli, também arrematou duas sepulturas. “Pretendemos construir o mausoléu da família. Será o suficiente para fazer uma tumba que caiba pelos menos seis pessoas. A morte é uma sequência da vida. Temos que olhar com seriedade e naturalidade também”, disse o empresário.

O ponto alto do leilão foi a briga travada entre Roque Granero e Maria Tereza Segantin Ludovice por um túmulo localizado na entrada do cemitério. A disputa durou quase dez minutos e surpreendeu pela sequência de lances. A mulher de Clóvis Ludovice, um dos fundadores e chanceler da Unifran, arrematou o terreno de desejo por R$ 65 mil. “Vale a pena. É um ótimo lugar. Um lugar central, bem na frente.” Quem não conseguiu garantir o seu espaço não precisa se preocupar. Em outubro, será realizado outro leilão.