Em busca de liberdade e aventura, o bancário Antônio Vieira Guerra Neto, 37; o arquiteto Daniel Faleiros de Pádua, 33; e o assessor parlamentar Redemarque dos Santos, 43 (que reside em Brasília), partem às 4 horas de ama-nhã para uma viagem de oito mil quilômetros sobre duas rodas até a Cordilheira dos Andes, no Chile. Para enfrentar a neve - a temperatura na região é de 5ºC negativos com sensação térmica de 15ºC negativos - e os imprevistos que encontrarão pelo caminho, tudo está sendo planejado há 10 meses. Desde roupas adequadas, manutenção da moto e hospedagem e alimentação durante os 15 dias (ida e volta) na estrada, a viagem custará cerca de R$ 6,5 mil. “É o sonho de todo motoqueiro sair para outros países”, resume Antônio. O roteiro da viagem ele sabe de cor. De Franca, eles seguem para Londrina e Foz do Iguaçu (Paraná) e Uruguaiana (Rio Grande do Sul) até ultrapassarem as fronteiras do Brasil. Na Argentina, os motoqueiros passam por Santa Fé, Córdoba, San Juan - “onde tem as melhores vinícolas”, diz Antônio - (região que já fica nas Cordilheiras dos Andes) e Mendoza. No Chile, os aventureiros vão direto para Santiago. Lá, eles param na estação de esqui Valle Nevado, afinal, eles também merecem se divertir. O roteiro segue ainda para Valparaíso e Viña del Mar.
A discórdia entre os primos Antônio e Daniel, que viajam juntos pela primeira vez, está no roteiro da volta. Daniel quer retornar pelo mesmo caminho, já Antônio quer continuar a aventura saindo pelo sul do Chile e passando pela Região dos Lagos, na Argentina. “Seriam mais 10 dias de viagem. Não posso ficar quase um mês na estrada, tenho trabalho (risos)”, ressalta Daniel.
PLANEJAMENTO
A viagem para o Chile está sendo planejada há 10 meses. “Nossa primeira preocupação foi o frio”, explica Antônio.
Para não congelarem na neve, os motoqueiros investiram R$ 2,5 mil em roupas próprias para enfrentar o frio. A moto também exige cuidados para garantir proteção e conforto. “Trocamos os pneus, compramos alforje (maleiro), pedaleira frontal para descansar os pés.” A previsão dos aventureiros é de gastar ainda R$ 4 mil com hospedagem, alimentação e combustível.
A ideia é andar 500 quilômetros por dia, conta Antônio, que faz parte do Moto Clube “O Retorno do T.C.A.” e está acostumado a se aventurar pelas estradas. Em novembro do ano passado, com sete amigos, ele fez o “Caminho do Ouro”, a estrada real de Ouro Preto (MG) até Parati (RJ). Fascinado por aventura, Antônio ainda tem um jipe e já foi com a família várias vezes para a Serra da Canastra. A próxima viagem já tem destino certo. “Será para Prado, no sul da Bahia, em 2012, com o pessoal do moto clube”, diz Antônio.