O economista austríaco Joseph Schumpeter foi um dos mais importantes economistas do século XX. Com raciocínio privilegiado, dizia que a força motriz do progresso econômico era a inovação. Riqueza, prosperidade e desenvolvimento só poderiam surgir se fosse por meio dela. Para Schumpeter, no entanto, inovação tinha um significado preciso: era a substituição de formas antigas por novas formas de se produzir e consumir. Produtos novos, processos novos e novos modelos de negócios, o que ele sabiamente chamou de ‘destruição criativa’, uma expressão bastante comum nos dias de hoje. Seria esse processo a mola propulsora do capitalismo, o que o tornava o melhor sistema para gerar riqueza e produzir crescimento econômico. O que Einstein um dia chamou de ‘anarquia do sistema capitalista’, era para Schumpeter exatamente sua força. Sem ‘destruição criativa’, e sem os empreendedores para levar adiante essas mudanças, não haveria riqueza.
Esses conceitos de Schumpeter, bastante aceitos no pensamento econômico e empresarial da atualidade, servem muito bem para pensarmos a situação de toda a cadeia produtiva do couro e calçado em nossa região.
De certa forma, boa parte de nossos empresários não percebeu esse caráter de destruição criativa inerente ao sistema. Acomodados em seu primeiro sucesso, muitos deles não inovaram. Não perceberam as forças que aos poucos modificaram o ambiente social, político e econômico em que vivemos. Não se deram conta das transformações tecnológicas que impactaram a produção, nem tampouco ouviram os clamores do mercado. Inertes, uma grande parcela desses empresários persistiu nos mesmos processos, na mesma tecnologia e nos mesmos mercados.
O resultado de tudo isso foi uma grande destruição ao longo do tempo. Para nossa infelicidade, no entanto, nada criativa. Muitas empresas fecharam suas portas. De todos os portes, grandes e pequenas. Atualmente, ameaçadas pela conjuntura agressiva dos mercados globalizados, muitas outras temem por seu futuro.
De qualquer forma, nesse momento, há o que comemorar. Há empresários entendendo que a atualização e a modernização são importantes para crescer ou se manter no mercado. Para citar um nome, a Amazonas é um desses exemplos. Um dos ícones empresariais da cidade, que por muitos anos enfrentou enormes dificuldades para permanecer no mercado, deu a volta por cima e começa agora a recuperar seu brilho de antigamente. Trata-se do Grupo Amazonas, que lançou linha de sandálias. Mesmo que não tenham pensado nisso, ancoraram-se nos ensinamentos do mestre austríaco. Paralelamente ao que sempre fizeram, inovaram em produtos, processos, novos mercados e modelos de negócios. Criaram novos valores e logo devem começar a colher seus frutos. Que mudanças desse tipo possam inspirar outros empresários da cidade. A destruição criativa não vem apenas do mercado, está ligada, sobretudo, às atitudes daqueles que empreendem.