08 de julho de 2026

Apenas dizer... Ou fazer?


| Tempo de leitura: 3 min

Hoje é domingo, dia do Senhor, o último domingo do mês de setembro, o mês da Bíblia e, hoje, o dia da Bíblia

Para nós, cristãos, a Bíblia não é um livro de ciências naturais ou de história erudita, mas o livro da vida da comunidade de Jesus. A Bíblia é uma história de amor: a história da lealdade de Deus para com o povo que ele escolheu para testemunhar seu amor. Muitas vezes a Bíblia é criticada por não concordar com a biologia, com a arqueologia, com as ciências em geral ou com opiniões corriqueiras nem sempre muito significativas. Mesmo contendo coisas cientificamente comprovadas, sua intenção não é ensinar aquelas ciências que outras instâncias têm a incumbência de pesquisar e ensinar.

A Bíblia ensina a verdade útil para nossa salvação através do caminho de vida que ela aponta: caminho de retidão, de dom total, caminho, afinal, de Jesus de Nazaré. Portanto: quais são os ensinamentos que a Palavra de Deus tem para nós neste domingo?

PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura é do livro do profeta Ezequiel. O profeta está junto do povo, no exílio, ajudando-os a entender a vontade de Deus em momentos de total desânimo. No exílio essas pessoas conversam sobre alguns assuntos corriqueiros e duros para eles: falam das suas famílias, das suas casas, das suas lavouras, da sua terra distante e se perguntam um para o outro: quem é o culpado pelas nossas desgraças?
Os exilados respondem: a culpa é dos pecados dos nossos pais. Eles não deram ouvidos aos profetas e nós pagamos as conseqüências. O profeta Ezequiel condena este modo de pensar e afirma: cada um é responsável pelas suas próprias ações; não se descontam os pecados dos outros.
A palavra de Deus vem clarear nossos pensamentos quando queremos atribuir aos outros e a Deus o nosso modo de ser, as nossas escolhas erradas, os nossos sofrimentos... Resta somente uma saída: reconhecer os próprios erros e arrepender-se, voltado ao Deus que não quer a morte do injusto e sim sua conversão.
Deus não busca “perfeição” na nossa pessoa. Ele quer que sejamos responsáveis, tendo consciência dos nossos limites e trabalhando nosso pensamento e coração, para atitudes novas e renovadas.

SEGUNDA LEITURA
A segunda leitura é colhida do capítulo 2, da carta de São Paulo aos Filipenses. Os cristãos da comunidade de Filipos vinham de diferentes classes sociais (senhores e escravos) e de culturas diversas (pagãos e judeus). Porém, sabiam pela fé que eram todos iguais, mas, mesmo assim, havia conflitos entre eles.
São Paulo, então, exorta os líderes a sempre considerar os outros como superiores para aprenderem a agir com humildade. Para isso, lhes apresenta o exemplo de Cristo, que, mesmo sendo Deus, não se prevaleceu disso, mas se aniquilou tornando-se escravo e se assemelhando a nós. Este caminho da humilhação de si mesmo, este rebaixamento até o último degrau, conduziu o Cristo à glorificação.
O evangelho é narrado por Mateus, capítulo 21. A parábola faz entrar em cena três personagens: um pai e dois filhos. O pai mandou os dois filhos trabalhar na sua vinha. O primeiro respondeu: sim, mas não foi e o segundo, no início, resmungou, mas, em seguida foi.
O filho mais velho que, inicialmente, disse não, mas foi, representa os pecadores e os marginalizados que aceitam a mensagem de Jesus e se comprometem com a proposta da justiça do Reino. O filho mais novo recorda todas as ‘pessoas de bem’, maquiladas de religiosidade e “justiça”, presas fáceis do dinheiro e que acreditam que estão cumprindo a vontade de Deus.
E Jesus pergunta: qual dos dois fez a vontade do Pai? A resposta é clara. De forma clara Jesus quer dizer que todos aqueles que são “rejeitados” no meio do mundo estão sempre abertos a Deus. Toda vez que pautamos a vida pela humildade, pela simplicidade, conseguimos possuir o coração aberto para as coisas de Deus.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br