A aposentada Diva Alves Pimenta, 72 anos, passou 54 deles fumando. Chegou a consumir até cinco maços por dia e hoje, mesmo com bronquite e enfisema pulmonar, ainda fuma três maços, ou seja, um cigarro a cada 24 minutos. “Não tenho nem pulmão mais (risos). Sinto uma canseira”, diz, enquanto aguarda em frente ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial para Tratamento de Álcool, Tabaco e Outras Drogas) o início do segundo encontro do Programa de Cessação ao Tabaco.
Pela rede pública, atualmente o programa atende 62 fumantes de várias idades, a maioria mulheres, que decidiram lutar contra o vício. O tratamento é grátis (leia texto nesta página).
“É pior que droga”, resume Diva. E ela tem razão. No mesmo grupo, uma jovem de 22 anos, que prefere não se identificar, afirma que já foi viciada em cocaína, mas depois de ser internada conseguiu se livrar da droga. “Cigarro é uma droga fortíssima. Se todos soubessem como é esse vício, não aprenderiam a fumar. Sou fraca, não consigo parar. Acordo de madrugada para fumar e de manhã já levanto pensando no cigarro”, revela.
A moça, que conheceu o fumo aos 14 anos, conta ainda como o vício prejudicou seus relacionamentos. “Perdi seis namorados porque eles pediram para eu escolher entre eles e o cigarro. Hoje estou sozinha. Antes eu praticava esportes, agora não tenho ânimo para nada”, diz. “Quero parar de fumar e melhorar a minha qualidade de vida.”
Diva já conseguiu ficar sem o cigarro durante um ano e sete meses, “com fé em Deus e orando junto com o padre Marcelo em seu programa no rádio”. Mas, em 2005, problemas familiares e a ansiedade a fizeram procurar refúgio novamente no cigarro. “Se Deus quiser, vou parar de fumar. Ele há de ter dó de mim”, afirma.
Aos 62 anos e 43 como fumante, uma senhora que prefere não se identificar também se apega na fé para vencer o vício. “Quem tiver força de vontade segura na mão de Deus, pede a Ele, que Ele te dá força. Morrer todo mundo vai, mas sempre é tempo de mudar.”
Ela conta que decidiu parar de fumar ao descobrir há 25 dias que tem angina (dor no peito causada pelo estreitamento das artérias que conduzem sangue ao coração). “A gente considera o cigarro como um amigo, mas ele não é.”