16 de março de 2026

Suicídio social


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Segundo conceito do economista Raul Velloso, ‘economista é aquele que passa metade do seu tempo fazendo previsões e a outra metade justificando porque as previsões não foram certas’. É o verdadeiro ‘samba do crioulo doido’...

Tem opinião de todo jeito, para todos os gostos. Em razão da crise mundial, faremos alguns comentários. Recentemente foi divulgado que na Europa, após séculos, pela primeira vez as novas gerações têm um nível de vida inferior ao de seus pais. Pelo que podemos perceber a situação só tende a piorar, visto que durante décadas os países desenvolvidos cometeram um verdadeiro suicídio social, quando conseguiram aprofundar o “abismo social” entre ricos e pobres, os números estão à disposição e são incontestáveis.

Não adentraremos nossos comentários à questão do consumismo “desenfreado” e supérfluo, que nos trouxe a tal situação econômica, tampouco poderíamos abordar em espaço reduzido a questão das chamadas “bolsas de valores” que foram criadas com um objetivo e que hoje servem de especulação, onde muitos, sem trabalhar, ganham dinheiro dos poucos que realmente trabalham, através de boatos, crises fictícias, etc.

Sempre em momentos de crise financeira, a solução apresentada pelo Estado, inclusive o brasileiro, foi a de impor austeridade contra as classes mais humildes da sociedade, através de cortes nos orçamentos sociais, ou seja, dos serviços básicos fornecidos aos cidadãos, retiram e privatizam hospitais públicos, transportes, escolas, saúde, segurança, etc. Em tais momentos, os cidadãos humildes, sempre aceitaram o acatamento e a submissão de tais ordens governamentais, acreditando estarem auxiliando seus países.

Ocorre que nos dias atuais, os cidadãos frustrados com as políticas adotadas têm se manifestado através de movimentos de indignação e protestos em todo o mundo, como por exemplo: no mundo Árabe, na Grécia, no Chile, na Espanha, em Portugal, em Israel, na Inglaterra etc., que, com certeza, irão se multiplicar, bastando ver e analisar as declarações dadas pelos manifestantes em entrevistas, quando dizem que “o sistema não cessa de favorecer os ricos e massacrar os pobres. Há cortes nos serviços públicos, as pessoas morrem nas salas de espera dos hospitais depois de esperarem horas por atendimento”.

Caros leitores, os líderes dos países ricos, não abrem mão de manterem suas dominações esperando continuar vivendo da verdadeira exploração mundial sobre os povos mais pobres. Porém, nos permitam dizer “os esquecidos pelo sistema”, esgotaram a paciência e não aceitam mais a submissão imposta por um processo de globalização neoliberal que destrói sonhos, que acaba com a perspectiva de uma vida melhor, que humilha, que despoja o futuro dos menos favorecidos.

A crise econômica é questão mundial e não regionalizada, os governantes precisam parar de satisfazer as necessidades dos mercados financeiros e dos bancos, o que fazem a qualquer custo, quando deveria sim obrigá-los a uma regulamentação mais rígida. O povo não aceita mais que ocorra o inverso, onde a “especulação financeira” é que impõe seus critérios e suas regras para as políticas públicas.

Enfim, como dissemos inicialmente o suicídio social cometido por longas décadas, finalmente chegou ao seu ápice e com certeza se os governantes não tomarem providências no sentido de reverter o aprofundamento, a cada dia, da separação social entre ricos e pobres, as manifestações de insatisfação social irão ocorrer com maior freqüência em todo o mundo. Já passa da hora de serem adotadas soluções técnicas econômicas que existem, mas falta vontade política para implantá-las.

DOLAR ELEVA DÍVIDA BRASILEIRA
Segundo dados do Banco Central, até o mês de julho/2011 a dívida externa brasileira era de US$ 297,092 bilhões de dólares que correspondia em 26/07 a R$ 456,334 bilhões de reais. Com a desvalorização do real nos últimos dias, a mesma dívida externa em dólares passou para o valor de R$ 548,135 bilhões. Em resumo nossa dívida aumentou R$ 91,258 bilhões em dois meses.
A razão do aumento da desvalorização do Real frente ao Dólar nos remete ao anteriormente comentado, ou seja, os especuladores mundiais, que com o agravamento da crise mundial, transferem suas aplicações para os títulos da dívida americana, considerados os mais seguros do mundo. Simultaneamente houve a decisão do Banco Centra do Brasil de baixar em 0,5% a taxa de juros, o que indicou aos “aplicadores” a tendência de uma diminuição de seus ganhos especulativos no Brasil.
Em razão destes fatores está ocorrendo a chamada “fuga de capitais” que trás por conseqüência uma maior procura por dólares e uma desvalorização do real. Coisas de quem não trabalha e vive do suor dos outros!

61 ANOS DA TELEVISÃO BRASILEIRA
A Rede Tupi de Televisão, com Assis Chateaubriand, entrou no ar no dia 18/09/1950, com muita luta e improviso. Hoje a televisão é profissional por excelência e com padrão de qualidade mundial, é um instrumento de massa que influi em todos os seguimentos da sociedade. A propósito, sempre comentamos que nós pais, se somados todos os minutos de nossas conversas diárias com nossos filhos, não iremos obter 10% do tempo em que eles estão em contato com a televisão diariamente, fazendo parte de sua formação.
Ao comemorarmos mais um aniversário de nosso maior veículo de comunicação, temos que obrigatoriamente refletir sobre sua influência em nossas vidas e principalmente pelo fato de que no Brasil as televisões são concessões públicas. Temos que estar sempre alertas pelo fato de que algumas concessões são dadas por critérios políticos a grupos dominantes em determinadas regiões de nosso País, que se perpetuam no Poder em razão de que os “clientes consumistas” de seus produtos, por vezes, são manipulados por informações distorcidas.

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br