07 de julho de 2026

'A gente é brega'


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Em entrevista ao Comércio, Kiko Zambianchi, que se apresenta hoje no Teatro Sesi, é enfático quando o assunto é música. “Depois que as gravadoras acabaram e sumiram os diretores artísticos, a coisa não tem mais triagem. A gente é brega, somos essas coisas

Um quarto de século no mundo da música. O Teatro Sesi apresenta hoje, às 20 horas, Kiko Zambianchi, com o show 25 anos de Rock, que traz em seu repertório grandes sucessos que projetaram o cantor e compositor no cenário musical brasileiro. Com entrada franca, as reservas para a apresentação já estão esgotadas. Em entrevista ao Comércio, Kiko fala de carreira, mídia e de suas impressões da atual situação da música no Brasil.

Comércio da Franca - O show é em comemoração aos seus 25 anos de carreira. Qual é o estilo do repertório?
Kiko Zambianchi - Estamos com o show que fizemos no Teatro Pedro II, em Ribeirão Preto, para a gravação do meu DVD acústico. Ribeirão é minha cidade Natal, e eu gosto muito do Teatro Pedro II. Foi uma ocasião especial, o Capital Inicial também fez uma participação no show. É uma coletânea das coisas que eu já fiz, de músicas que eu gravei e que outros artistas também gravaram, como Marina Lima e Capital Inicial. E é um show em formato acústico. Somos em cinco músicos no palco.

CF - Você já esteve outras vezes em Franca. O que espera do show hoje?
Kiko - Faz muito tempo que não vou a Franca. É um show que estou querendo ver o que vai dar. Acho que vai ser legal pelo fato de ser perto de Ribeirão Preto, e também por ser no Sesi. Gosto bastante de tocar no Teatro do Sesi porque você acaba ficando mais próximo do público. E eles vão lá para ouvir mesmo. A pessoa não está indo para a balada, não vai beber, paquerar. Senta ali para ouvir. Geralmente esses shows são bem legais. Estou com saudades de tocar na região, vai ser uma noite muito boa para mim.

CF - Você é músico desde a década de 80, mas tem também uma geração mais jovem que acompanha o seu trabalho. O que você acha de essa geração talvez tê-lo conhecido pelo fato de você ter feito a participação na gravação do álbum acústico do Capital Inicial, em 2000?
Kiko - Na verdade o Capital também ‘surgiu’ para essa geração na mesma ocasião. Acho que não tem nada demais, mesmo se tivesse acontecido alguma coisa com o Capital antes do acústico. Mas aconteceu com todo mundo junto. Foi um disco que eu fiz junto com eles. Tanto eles quanto eu nos demos bem. O lance do Capital, de voltar, aconteceu porque antes o que estava rolando era só pagode, axé, sertanejo. E para um moleque que passa dez anos na vida ouvindo sertanejo, axé e pagode, ouvir alguma coisa que diga algo realmente, o faz ‘acordar’. Aos 20 anos as pessoas têm um pouco mais de inteligência.

CF - Já existem projetos posteriores ao lançamento do DVD? Você está pensando em compor mais coisas?
Kiko - Eu não paro de compor. Quem não noticia é a mídia. Nenhum artista para. Agora, desde que você queira noticiar o Luan Santana, fazer matéria de Luan Santana, é ele quem vai aparecer. O outro some, porque todo mundo corre atrás do Luan Santana. A mídia vai atrás de um monte de coisas ruins. Colocam a Carla Perez durante dez anos na televisão para hoje em dia você perguntar num show de três mil pessoas quem é fã da Carla Perez e ninguém levantar a mão. Isso é jogar dinheiro e cultura brasileira fora.

CF - Como você vê o cenário musical brasileiro hoje em dia?
Kiko - Acho que depois que as gravadoras acabaram e sumiram os diretores artísticos, a coisa não tem mais triagem. Então, se o povo é ignorante, você pega uma música ignorante e dá a ele, ele vai consumir. Acho que a responsabilidade dos meios de comunicação seria colocar coisas mais educativas para as pessoas verem. Mas aí preocupam-se com a audiência, preocupam-se em vender. Então tá bom, que vendam para o diabo.A gente fica ouvindo musica de má qualidade. E o mercado internacional adora, porque a gente é brega. A gente é Luan Santana, é Ivete Sangalo. Chique é a Lady Gaga. A gente é brega, somos essas coisas que estão aparecendo e que eu não sei de onde surgem.

CF - E qual sua opinião sobre a abordagem da mídia em relação a esses artistas?
Kiko - O dinheiro compra tudo, é complicado. E a gente volta naquela questão. Eu não sou noticiado porque acham que eu não faço nada. Ninguém sabe as coisas que eu faço, principalmente no interior. No interior é uma coisa sem noção, é só sertanejo. Além do que os sertanejos são todos falsificados. A maioria nem conhece uma fazenda. É complicado. A cegueira do brasileiro está difícil. Onde já se viu, na minha época, sertanejo universitário? Que é isso? Vão ouvir outras coisas, vão ouvir música nacional de boa qualidade. Bando de brega e esses universitários todos ignorantes também. Vamos melhorar o Brasil.