A reportagem ‘Retratos do desrespeito’ publicado por este Comércio no último dia 18, reforçou minha preocupação sobre o aumento, visível, do lixo urbano em Franca. Há duas dimensões de sua ocorrência. A primeira ocorre no lixo volumoso e concentrado, tanto nas áreas dos antigos ecopontos – que a reportagem mostrou ser um grande problema atualmente –, quanto em outra áreas por toda a cidade. Esse lixo, por estar concentrado em localidades, é facilmente visualizado. Uma ação séria e eficiente da Prefeitura pode coibir a prática. Os tais ecopontos, da maneira como foram arranjados, tornaram-se aberração ambiental. Originalmente essa denominação foi dada para lugares públicos (administrados pelo poder municipal) onde se coloca receptores (caixas plásticas) que recebem o descarte seletivo do lixo doméstico de pequeno volume, até, no máximo, 1 metro cúbico. Nossos ‘ecopontos’ se transformaram em mini-lixões.
A outra dimensão do lixo urbano está esparramada por toda a cidade. Franca está suja. Não há um único local em que não se encontre lixo e isso deixa a impressão de que o serviço de limpeza (varrição de rua) está aquém do que desejamos e precisamos. É necessário que seja, inclusive, investigado, se houve mudanças com perda de qualidade no serviço contratado a partir da licitação do lixo ou se é apenas uma questão de aumentar a fiscalização do serviço.
Mas, acho, o problema é um pouco mais complexo. A atual administração sofre de AAR (acomodação por atividade repetitiva). De tanto a cidade andar suja, acomoda-se com isso e pensa-se que basta pagar pela varrição, sem questionar o que se gasta (apenas se justifica) e, muito menos, sem mudanças no comportamento administrativo que vise a formação da consciência ambiental na população.
Quantas placas educativas existem na cidade afirmando a necessidade de mantermos a cidade limpa? Quantas campanhas foram feitas mostrando as consequências (custo da limpeza, enchentes, doenças e poluição de diversos tipos) da sujeira provocada no dia-a-dia pela população, nas vias públicas, praças e bairros? Qual o empenho que a Secretaria de Educação (onde tudo deve começar) tem feito formando uma consciência ambiental e de responsabilidade social em nossas crianças? Que parcerias a Prefeitura criou com a iniciativa privada (indústria e comércio) para desenvolver uma forte campanha de limpeza urbana junto aos trabalhadores e consumidores? Quantas cestas de lixo foram instaladas? São perguntas que já temos respostas. Basta olharmos ao nosso redor e verificar a omissão da prefeitura na questão da educação ambiental.
Nossa cidade não tem espírito de desafio nas questões públicas. Falta, no executivo local, capacidade para motivar e mobilizar a sociedade em torno das questões da atualidade. Nenhum processo de conscientização e transformação acontece em apenas quatro – ou oito anos –, mas tem que ser iniciado mesmo que resultados não sejam imediatos. Assim como, também, os programas que deram certo devem continuar nos mandatos seguintes. Infelizmente, programas de educação ambiental iniciados pelo ex-prefeito Gilmar Dominici foram interrompidos pelo atual burgomestre. É uma pena, porque diminui a grandeza de um prefeito e prejudica a população.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário