O Correio, apesar de ter sido deteriorado nos últimos anos pelo governo, trouxe-me uma agradável surpresa: fui agraciado com o prêmio do jornal canadense Voice: ‘Award of Excelence For outstanding and dedicated service to Voice Portuguese-Canadian Newspaper’. Uma bela placa, diga-se de passagem. Isso me lembrou o tratamento que me foi dedicado também pelo governo da Austrália. Sugeri ao governo brasileiro estudar o cultivo de Atriplex (erva-sal) usando hidroponia para retirada do sal da água e não tive nenhuma resposta.
Então, escrevi ao governo estrangeiro e recebi uma carta agradecendo e encaminhando a seus pesquisadores. A nova deferência dos irmãos canadenses animou-me a reescrever uns pontos para uma estratégia nacional para investimentos e pesquisas em biocombustíveis.
Vergonhosamente para o país que iniciou o Pró-Álcool na década de 70, temos que importar etanol dos Estados Unidos. Precisamos de investimentos.
Assim, (1) deveriam proibir a compra, por estrangeiros, de usina e plantações de biocombustíveis. Capital externo somente para construir novas usinas e abrir novas fronteiras agrícolas. Longe da Amazônia, claro! (2) Criar incentivos fiscais, financiar pesquisas e implantação de indústrias que utilizem resíduos agrícolas e lixo para gasogênio, gás de síntese, hidrogênio, metanol (usado na produção de biodiesel) e diesel sintético. Só em São Paulo as queimadas desperdiçam 60 bilhões de kg de biomassa.
O mesmo vale para (3) incentivar as plantas de poligeração. Muita energia pode ser aproveitada dos processos industriais que utilizam altas temperaturas. Também para a (4) captação de CO2 em indústrias utilizando algas (produzem até 300 vezes mais óleo que a soja, o verdadeiro algoz da Amazônia), preferencialmente com algas marinhas, já que a água do mar sempre será abundante.
Ainda, (5) geração de vapor usando água do mar e posterior aproveitamento da água doce. Também, a (6) produção de biodiesel usando microondas, (7) implantação de indústrias de biodiesel de óleo de cozinha usado e (8) biodiesel de gordura animal ou de sebo, tanto de bovinos como de frangos e suínos.
No Brasil existem disponíveis 700 mil toneladas anuais de sebo bovino. Não esquecer o (9) biogás de esgoto e o (10) aproveitamento de água de chuva.
O mesmo raciocínio deve ser aplicado para (11) os ônibus híbridos. A experiência em São Paulo mostrou que eles reduzem a poluição e consomem menos diesel. E mais, o motor de 210 HP foi substituído pelo de 80 HP, sem perda de desempenho. Nessa linha, (12) subsidiar lâmpadas mais econômicas e aparelhos que consumam menos energia e, indiretamente, CO2.
E ainda sonho ver (13) a Aeronáutica fazendo chover e desarmando tempestades, afinal, estudam isso desde a década de 70.
Termino querendo (14) a proteção da Mata Atlântica, Amazônica, Caatinga e Pantana. Certamente, muitas plantas medicinais estão escondidas aí.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE e professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva