08 de julho de 2026

Hábitos virtuosos


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Os nossos hábitos revelam quem somos! Isso é uma verdade ignorada por muitos. Na semana passada fui tomado de extrema felicidade, embora a felicidade seja um sentimento que procuro viver inclusive nos momentos de tristeza, de incerteza e de angústia, porque quando se permite sua instalação por um período longo, certamente, a doença aparece. Quantos estão doentes em decorrência da tristeza, da falta de perdão, da falta de bons e virtuosos hábitos. Os hábitos bons determinam boas conquistas.

Desde que comecei a lecionar na universidade tenho trabalhado com os alunos, juntamente com as matérias da grade curricular, também a conscientização sobre integridade, honestidade, ética, repetição de hábitos virtuosos, autodeterminação, enfim, coisas que não vemos mais com frequência.

Atualmente, havendo possibilidade de ganho ainda que não seja honesto, tudo bem, já que se eu não fizer, outro vai fazer. Errado. A repetição de hábitos negativos corrompe a essência do ser humano. Inverdades ditas repetidas vezes podem se tornar ‘verdade’. A verdade é construída através do discurso, contrariando os dogmas de que a verdade é sempre única. O pior de tudo isso é saber que pessoas não se preocupam com o discurso, com a imagem que os outros tem de si e a imagem que é construída através da comunicação verbal e não verbal.

Ser vitorioso não é obra do acaso, mas a repetição de hábitos virtuosos e autodeterminação. Presenciei vários alunos que ainda não concluíram o curso de Direito, serem aprovados no exame da OAB, prova que mede a capacidade do futuro advogado, mas também é um reflexo da universidade. Estou feliz por cada um dos alunos, por cada professor, pela coordenação do curso, porque os resultados demonstram a repetição de hábitos vitoriosos, a união de esforços na busca de um objetivo certo e determinado, ou seja, formar pessoas capazes de fazer justiça que é fonte de pacificação social. Parabéns aos aprovados e persistência aos que ainda não conseguiram, porque todo aquele que não desiste sempre alcança. O caminho é a constância nos estudos e na convicção pessoal acerca da própria capacidade de superar os obstáculos e de superar a si mesmo a cada dia. A formação em Direito não pode preparar apenas para o conhecimento e aplicação régia da lei, porque as transformações sociais ocorrem antes do reconhecimento do direito pela lei. Fazer justiça é muito mais do que simplesmente aplicar a letra fria da lei.

Basta se perguntar qual são os substantivos utilizados para pessoas casadas. Resposta: marido e mulher. E para as pessoas casadas que são do mesmo sexo? Meu marido e minha mulher não dá! Exceto se você se filiar à ideologia de que o sexo é uma construção social e que a sociedade determina quem é homem ou mulher. Talvez meu convivente e minha convivente? Estranho!

Da mesma forma, a traição sempre exigiu um contato físico. Traga isso para o mundo cibernético: há possibilidade de traição virtual? Há! No entanto a legislação vem sendo adequada pela doutrina e caberá aos futuros operadores do direito fazerem justiça ao caso concreto e não apenas conhecer e aplicar friamente a lei.

Justiça não é obtida com simples cálculo aritmético onde um mais um sempre será dois. No Direito a soma de um mais um nem sempre será dois ante a possibilidade de duas pessoas gerarem vários outros conflitos. Quem entra com uma ação pode ser surpreendido com defesa e com contra-ataque.

Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário