08 de julho de 2026

Mulheres com a mão na massa


| Tempo de leitura: 2 min

Não é exagero dizer que a emancipação feminina começou no momento em que as máquinas eliminaram a necessidade da força bruta para a realização de inúmeras tarefas. A partir daí, as mulheres tiveram condições de provar sua inteligência e suas habilidades, iniciando um lento processo de luta contra a submissão a que eram obrigadas.

Como parte desse processo, em setembro de 1968, em Atlantic City, nos EUA, aconteceu o famoso episódio da queima dos sutiãs. Na ocasião, cerca de 400 ativistas do Movimento de Liberação Feminina protestavam contra a realização do concurso de Miss América. A ‘queima’, na verdade, não existiu. O que elas fizeram foi colocar no chão aquilo que chamavam de ‘objetos de tortura’, sutiãs, sapatos de salto alto, cílios postiços, sprays de laquê, maquiagens, revistas, espartilhos, cintas e outros.

Apesar de simbólica, a cena teve repercussão mundial, acelerando ainda mais o movimento que pregava a igualdade entre os gêneros, não uma igualdade biológica ou ligada aos sentimentos, mas sim uma equalização dos direitos em relação ao trabalho, à liberdade e à satisfação pessoal.

Desde então, o avanço das mulheres no mundo do trabalho tornou-se um movimento inexorável. Antes restritos aos homens, esses espaços foram se tornando cada vez mais femininos. Primeiro os mais amenos, é claro, que exigiam menos força e mais ‘cérebro’. Porém, com o tempo, a ousadia feminina foi desafiando cada vez mais o machismo conservador. Mulheres tornaram-se motoristas, iniciaram-se no futebol e entraram para as forças armadas, entre várias outras áreas antes reservadas aos homens.

Segundo o dossiê ‘As donas do mercado’, publicado pela revista HSM em seu número de janeiro/fevereiro desse ano, as mulheres formam 46% da força de trabalho mundial, chegando a mais de 1 bilhão de trabalhadoras.

Não contentes com todo esse avanço, as mulheres invadem agora um dos últimos redutos masculinos do mundo do trabalho, a construção civil. Reportagem publicada pelo Comércio na quarta-feira, 14/09, mostra que já existem em Franca 114 mulheres lutando para quebrar mais esse paradigma, um número que aumentou em 23% no último ano.

Por enquanto, a presença feminina parece ater-se a trabalhos que exigem mais capricho e cuidado, como o de rejunte. Como são mais detalhistas, conseguem um resultado melhor do que aquele entregue pelos pedreiros homens, que normalmente não vão bem nos detalhes.

Os tradicionais pedreiros que se cuidem. Quem já construiu sabe o quão complicado é achar um pedreiro confiável, capaz de gerir uma obra com qualidade, organização e capricho. Do jeito que as coisas estão indo, não vai demorar muito para que elas assumam a responsabilidade pela obra, ensinando aos marmanjos com se organiza uma obra e se faz um bom rejunte.