Centenas de estudantes de todo o País se inscreveram para participar do Campeonato Brasileiro de Xadrez que será realizado no próximo fim de semana em São Sebastião do Paraíso. Uma seletiva online reduziu o número de concorrentes a apenas 39. Entre eles está o francano Gabriel Augusto da Silva, 15, aluno da E.E. Torquato Caleiro.
Será a primeira vez que enfrentará uma competição deste nível. “Para participar, tive que passar por um processo seletivo e vencer um oponente online. Depois houve uma avaliação psicológica e paguei uma taxa de R$ 60.” O campeonato, reconhecido pela CBX e pela Federação Internacional de Xadrez (FIDE, sigla em francês para Fédération Internationale des Échecs).
O torneio é dividido em categorias. São cinco que correspondem ao ensino fundamental (do 5º ao 9º ano) e três para o ensino médio (1º ao 3º ano), dividindo os competidores por sexo. A premiação, de acordo com Gabriel, é um troféu, mas ele acredita em alguma recompensa a mais que não tenha sido divulgada.
Gabriel irá competir pela categoria do primeiro ano do ensino médio masculino e, além dele, outros nove estudantes disputarão o título. “São dez competidores na minha categoria e eu estou me preparando. Costumo jogar duas horas por semana, mas agora será pelo menos uma hora por dia, além dos livros. Atualmente estou lendo três: um de jogadas táticas, outro sobre o xadrez na história e também um sobre xadrez escolar.”
Gabriel começou a praticar o esporte há três anos e a responsável pela paixão do jovem pelo xadrez é a professora Vera Lúcia do Nascimento. Ela conta que procurava um oponente para praticar e ele respondeu com interesse. “O xadrez ajuda a desenvolver o raciocínio lógico e contribui com a disciplina, já que o jogo envolve o conceito de regras. E os campeonatos ajudam também na autoestima do aluno. Quando ele nota que aprendeu e que consegue vencer até a professora, ele se sente capaz”, disse ela. A partida mais longa que os dois disputaram durou cerca de três horas e meia. E Vera venceu.
Mitos sobre a origem
Existem vários mitos para a origem do jogo. O mais famoso é o que aparece no livro O Homem que Calculava, do escritor e matemático brasileiro Malba Tahan. A história conta que em algum lugar da Índia havia um poderoso rajá (rei) deprimido pela perda de um filho em batalha.
Um dia, o jovem chamado Sessa apresentou o jogo ao rajá, que conseguiu se concentrar em outra coisa que não sua dor. Muito agradecido, o rajá prometeu qualquer recompensa a seu novo amigo. Sessa pediu simplesmente um grão de trigo para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, oito para a quarta e assim sucessivamente até a última casa.
Espantado com a humildade do pedido, concedeu. Depois de feitos os cálculos todos ficaram abismados. Nem em dois mil anos de safra a dívida poderia ser paga. No final o rajá elogiou a inteligência de Sessa que acabou perdoando a dívida e se tornando conselheiro do reino.
Curiosidades sobre o esporte
A palavra xeque-mate vem da frase persa “Shah Mat”, que significa “o rei está morto”.
O xadrez, a música e a matemática são os únicos setores da atividade humana em que se identificam casos de crianças prodígio.
O campeão nacional absoluto mais jovem de todos os tempos e de todas as modalidades esportivas é um jogador de xadrez. Trata-se do peruano Júlio Granda Zuñinga, campeão nacional aos 6 anos de idade.
O xadrez é a única modalidade esportiva que permite a uma pessoa enfrentar grande número de adversários ao mesmo tempo, em condições de aproximada igualdade.
A partida mais longa, terminada em vitória, é a que Wolf ganhou de Duras (Carlsbad, 1907): 168 lances, durando 22 horas e meia.