José dos Santos Batista não está contente com os rumos da política em Franca. Ele sonha se eleger vereador para poder implantar suas ideias. Sua bandeira é ajudar os pobres. Não é ligado a nenhuma legenda. Sem trânsito nos corredores do poder, encontrou uma maneira diferente para se apresentar. Na terça-feira, publicou anúncio no Caderno Classificados do Comércio da Franca para informar de seus planos. “Sou morador no City Petrópolis há 2 meses, procuro partido político para me filiar e sair candidato no ano que vem”.
Zezinho tem 50 anos e é aposentado por invalidez. Disse que sofre de transtorno bipolar. Ajuda a mulher a vender Ice Gurt na porta de escolas, diante de fábricas no Distrito Industrial e na praça da Estação.
Não é a primeira vez que tenta se aventurar na política. Em 2004, candidatou-se a vereador pelo PDT. Recebeu 63 votos. “Me considerei muito bem votado, pois não gastei quase nada e não fiz campanha.”
Ao contrário de políticos que saem falando ao ver um microfone, o candidato a candidato mostrou-se mais cauteloso. Procurado na quarta-feira para falar de suas intenções, pediu um tempo. “Você me pegou de surpresa. Me liga amanhã ou depois. Preciso me preparar”. E ele se preparou.
Ao se encontrar com a reportagem, tinha na ponta da língua o que gostaria de falar. Até o slogan de campanha já estava pronto. “Quando fui convidado para dar esta entrevista, fiquei pensando como que iniciaria. Me veio à mente, você não vai achar em livro nenhum, em lugar nenhum, porque veio no meu coração esta frase: ‘Brasil, país da impunidade. Diversas autoridades e diversos políticos não têm um pingo de responsabilidade’.”
Tradicional espaço para ofertas de compra, venda e procura-se, o Caderno Classificados foi a opção escolhida pelo ambulante para poder realizar o sonho de entrar para a política. “Achei que colocar um anúncio no jornal seria a melhor maneira para conseguir um partido, mas só vou me filiar se for para sair candidato”, esclarece.
Zezinho pretende entrar na política para ajudar os pobres. “Hoje, as pessoas só colocam gente rica na política. As leis são feitas para eles. É preciso eleger pessoas mais humildes para ficar mais perto e ajudar os pobres.” Faz parte de seus planos colocar a roupa vermelha e barba branca, como um Papai Noel, para dar conselhos aos eleitores.
O ambulante também não está contente com a forma com que a polícia cumpre mandados de busca nas residências. Mesmo não sendo uma atribuição do vereador disciplinar a questão, ele pretende levantar esta bandeira. “Além de criar leis, o vereador precisa estar ao lado do povo em tudo. Por exemplo, se em uma família tem alguém indo para o caminho do mal, o policial entra com mandado ou sem mandado na casa e bate em todo mundo. Minha posição como vereador seria pedir, de imediato, ao secretário de Segurança Pública, que transferisse estes policiais.”
Zezinho está acompanhando a movimentação da Câmara para aumentar salários e número de vagas. Ele é contra. “Treze vereadores ou menos estaria ótimo.”
Por enquanto, nenhum partido se interessou em filiar o ambulante. Para concorrer a cargo eletivo, o eleitor deverá estar filiado ao respectivo partido pelo menos um ano antes da data fixada para as eleições, que é 7 de outubro. Ele disse que não está preocupado com o afunilamento do prazo. “Não vou correr atrás. Só vou me filiar se eu for procurado”, disse Zezinho.