Após a divulgação dos resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o Colégio São Bento/RJ ficou pela quarta vez na primeira colocação. Administrado por monges beneditinos, o Colégio não aceita matrículas de meninas, proíbe o uso de adornos, como piercings, e sua mensalidade chega até R$ 2.140,00
Seu método gera polêmica entre os chamados “especialistas em Educação” que reafirmam o posicionamento de que a segregação interfere no desenvolvimento da personalidade integral do aluno. Para tais “especialistas” o método adotado pelo São Bento remete ao século 19. Defendem ainda que o colégio não prepara para o mundo que é misto (homens e mulheres). Por sua vez a supervisora do Colégio São Bento responde que “os alunos e pais estão satisfeitos. Os meninos acham o ambiente confortável e não identificamos prejuízo nenhum, já que os rapazes podem conviver com as meninas na sociedade”.
Polêmicas a parte, a verdade é que estão desviando a atenção do foco principal, ou seja, a qualidade do ensino, pois não é simplesmente por ser um Colégio masculino que coloca o São Bento pelo quarto ano consecutivo no primeiro lugar do Enem, pois simultaneamente deve possuir um excelente corpo docente especializado e bem remunerado; um projeto pedagógico diferenciado que preserva e respeita a disciplina; - estrutura física adequada; adoção de métodos e técnicas de ensino que efetivamente preparam o aluno para o mundo competitivo que hoje lhe é proposto; não ter interferências externas, principalmente políticas etc. Entre seus ex-alunos há uma relação enorme de pessoas de destaque na sociedade brasileira.
Desmerecer a qualidade do ensino de um colégio, primeiro colocado, é preocupante, pois nos parece querer nivelar por baixo quando deveríamos tentar nivelar por cima. O pior é que tais “especialistas” criticam, mas não apresentam nenhuma solução concreta para a péssima qualidade do ensino público de nosso País.
Como não ter preocupação com a qualidade do ensino oferecido aos nossos estudantes? Como ficar tranqüilo e confiante se a futura geração de brasileiros recebe uma educação onde de cada 10 escolas públicas 8 está abaixo da média do último Enem? Isso sem considerar a verdadeira “ginástica estatística” efetuada para disfarçar o resultado que seria pior se os resultados não fossem separados pelo número de participantes por escola. Ademais é preciso esclarecer que a participação dos alunos no ENEM não é obrigatória. Dessa forma pressupõe-se que os melhores alunos participaram e os piores nem compareceram.
Mais um Enem veio a demonstrar que o ensino na rede pública está, podemos dizer, “agonizando” e por conseqüência destruindo sonhos de expectativa de melhora, de projetos de vida, de um futuro melhor, de destaque em uma carreira profissional etc., visto que os pais não têm condições financeiras de colocar os filhos para estudar em escolas particulares. Apesar das defesas, dos números que apresentam o moderno modelo adotado para o ensino, não funciona. A escola finge que ensina, e o aluno finge que aprende. E, assim, um ciclo inteiro é desperdiçado. As crianças completam o ensino fundamental, sem saber ler e escrever. Não conseguem construir um texto com lógica. Qual é a chance desses meninos e meninas?
A pergunta que fica é: O que está faltando para que a diferença entre o ensino na rede pública e na particular seja efetivamente encarada como um desafio de política pública a ser superado e solucionado?
Obs.: Enquanto isso, a paralisação do sistema público de ensino em Minas Gerais completou 100 dias, com a decisão de permanecer em greve por tempo indeterminado. O triste é saber que estão reivindicando o pagamento do piso nacional, que estipula um salário mínimo de R$ 1.187,97 para uma jornada semanal de 40 horas. Em suma: têm que fazer greve para que o Estado cumpra com a legislação positivada. Coisas do Brasil!
VALORIZAÇÃO
Juízes e integrantes do MP fazem manifestação no próximo dia 21, em Brasília, no chamado “Dia Nacional de Valorização da Magistratura e do Ministério Público”. No ato será divulgado um manifesto com as principais reivindicações e posicionamentos da magistratura e do Ministério Público. O manifesto será também entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal e ao procurador-geral da República. Na lista de reivindicações destacam-se três aspectos: segurança, saúde e salário. Para nós que por diversas vezes comentamos o problema, o ato somente irá demonstrar que apesar da Constituição Federal trazer a autonomia e a independência dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na prática, queiram ou não, há uma hierarquia de Poder que decide administrativamente sobre o outro Poder.
DESCONTO PARA ‘BOM MOTORISTA’
A deputada Bruna Furlan (PSDB-SP) apresentou Projeto de Lei 1202/11, já aprovada pela Comissão de Viação e Transportes, que concede desconto de 10% do valor do IPI - Impostos sobre Produtos Industrializados para compra de veículos por motoristas que não tenham cometido nenhuma infração de trânsito nos três anos anteriores. Sem dúvidas um bom projeto!
QUE A JUSTIÇA SEJA FEITA
Em 1996, um Fokker-100 da TAM, com destino ao Rio de Janeiro, caiu poucos minutos depois de decolar do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando 99 pessoas. A perícia da Aeronáutica responsabilizou a fabricante do reverso da aeronave pelo acidente. Segundo o relatório, uma falha em um relê fez com que o reverso se abrisse durante o vôo, derrubando a aeronave. Ele é utilizado apenas para frear o avião na hora do pouso. Obviamente que não foi a única responsável, mas com a rejeição do recurso pelo STJ - Superior Tribunal de Justiça, a empresa fabricante terá que pagar as indenizações.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br