08 de julho de 2026

Ensino ainda deixa a desejar


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Chega um novo Enem e mais uma vez nos vem a velha constatação: a qualidade do ensino ainda deixa a desejar. As escolas particulares destacam-se um pouco, mas nada que enseje uma comemoração efusiva por parte de seus professores e diretores, como geralmente acontece quando o ranking é publicado.

Se refletirmos um pouco mais sobre as notas, vamos perceber que boa parte das escolas que ficaram acima da média, dela não se distanciou tanto. Em Franca, mais especificamente, nenhuma escola particular conseguiu chegar aos 700 pontos, em uma escala que vai de 0 a 1.000, mesmo as particulares. Para simplificarmos, seria possível dizer que poucos pais comemoram quando seu filho tira uma nota 6,75 (aproximadamente a maior nota tirada em Franca). Geralmente, dizemos que está na média, o que pressupõe a necessidade de melhorar.

Comemorar, ou mesmo se contentar com a média, carrega certa aura de mediocridade. Mesmo que não seja consenso, é possível inferir uma relação próxima entre média e medíocre, já que não se está nem no ponto baixo nem no alto da tabela.

É claro que essa relação só se estabelece quando os resultados persistem na média, ou ao redor dela, como acontece com a série histórica do Enem. Ou quando não se toma nenhuma atitude para deixar o ponto médio e avançar até o topo. Nesse sentido, o fato de saber-se na média deveria transformar-se em uma alavanca para voos maiores. Deveria ser motivo de preocupação. As comemorações, nesse caso, só seriam válidas se fossem utilizadas como ferramenta motivacional, incentivando a busca da superação e do crescimento.

No caso do Enem, no entanto, parece que empacamos na média, nos acostumamos com ela. Mesmo que consideremos o pequeno avanço de 10 pontos e os discursos otimistas que vêm do governo, há que se cobrar um pouco de atitude por parte de nossas autoridades, em todos os níveis.

Sabemos que o problema é complexo. A enorme desigualdade social que persiste no Brasil ainda é um forte impeditivo quando se trata de melhorar a qualidade de nosso ensino. Porém, já o sabemos há muito tempo. No começo do século passado, Anísio Teixeira e seus companheiros já percebiam essa desigualdade e clamavam por uma educação para todos, sem os privilégios de classe ou posição social.

Na sociedade do conhecimento, que também já se iniciou há bastante tempo, a educação formalizada torna-se uma ferramenta fundamental para melhorar a competitividade de um país. Sua ausência pode comprometer o futuro.

Nesse sentido, é preciso apertar um pouco o passo das mudanças. Se necessário, que elas venham na sociedade e em nosso sistema de ensino. Do contrário, enquanto país, permaneceremos empacados na média. Como diria Nelson Rodrigues, despontando para o anonimato, ou para a mediocridade.