09 de julho de 2026

Muitas línguas, um objetivo


| Tempo de leitura: 3 min
A estudante Daniela Pires é apaixonada pelo Japão e há dois anos tem aulas de japonês com a professora Clara Minamihara

Você fala inglês fluente? Sim? Parabéns. Mas está na hora de escolher um terceiro idioma. A competitividade e as exigências do mundo cada vez mais globalizado começam a fazer com que jovens que pretendem entrar no mercado de trabalho batalhem para colocar um terceiro idioma no currículo.

Identificada com a sonoridade da língua espanhola e fã dos animes e mangás da cultura japonesa, a estudante Daniela Pires, 18, terminou o curso de inglês e passou a se dedicar ao espanhol e ao japonês, mesmo que sem nenhum compromisso profissional. Estudando a língua oriental há quase dois anos, a jovem revela a sua principal dificuldade. “O maior problema é o kanji (um dos três alfabetos da língua). Aqueles tracinhos pequeninhos, que podem mudar todo o sentido do que se pretende dizer é o que mais complica”, disse a jovem.

O aprendizado do idioma e a identificação de Daniela com a cultura japonesa prometem ser importantes aliados em seu futuro profissional. Pensando em estudar e seguir carreira na área de tecnologia em jogos digitais, a jovem vê a língua como segunda importância neste segmento, logo após o inglês. “O meu intuito é ir para o Japão porque lá é onde são feitos a maioria dos jogos do estilo que gosto, o RPG. Sou louca pela ideia de morar e trabalhar lá, sempre tive essa vontade”, conta Daniela.

Roseline Marques, pós graduada em Engenharia Econômica e sócia da RH Consultoria, disse profissionais dos mais diferentes segmentos têm sido procurados por empresas multinacionais. “Algumas multinacionais não conseguem encontrar a exigência que precisam quanto a um terceiro idioma, por isso a procura dura meses. Quando encontram o candidato, este passa a receber um status diferenciado dentro do processo seletivo”, explica Roseline. Para a profissional, os idiomas que mais podem ajudar um candidato atualmente são o alemão e o mandarim, devido a importância econômica da China e da Alemanha e a presença de multinacionais desses países no Brasil.

CURSOS
Escolas de Franca tem recebido maior procura de alunos interessados em aprender outros idiomas, além do inglês. A diretora da Know How, Eliane Querino, disse que a percepção do mundo cada vez mais globalizado e a crescente procura dos alunos foi determinante para que a escola passasse a oferecer o espanhol e, mais recentemente, o francês. “A procura por esses idiomas ainda é bem menor do que pelo inglês, mas o diferencial vem pela presença do terceiro ou quarto idioma. Os pais têm colocado os filhos no inglês quando estão mais novos para que o estudo de uma terceira língua comece mais cedo. O pulo de uma língua para outra é muito mais fácil quanto maior o número de idiomas que a pessoa fala”, explica Eliana.

Ainda em dúvida sobre a carreira nas áreas da Medicina ou Direito, a estudante Julia Pedigone, 17, já fala com fluência inglês, espanhol e francês, mas há um ano e meio decidiu investir também no alemão.

Incentivada a estudar idiomas desde cedo pelos pais, Julia também já teve a experiência de estudar fora do país. “Já passei um mês nos Estados Unidos, Espanha e França. Estando diretamente no país fica mais fácil aprender a língua. Foram oportunidades que me ajudaram muito a aprimorar o que havia estudado nas aulas”, disse a jovem que já faz planos para cursar italiano.