08 de julho de 2026

Trânsito sem respeito


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Quantas mutilações ou mortes serão necessárias para que as pessoas aprendam a transitar dentro das normas estabelecidas pelo Código de Trânsito? Antes de tudo, é bom saber que qualquer regra ou norma só tem razão de existir quando falta a educação preliminar.

Pelo andar da carruagem, a guerra está declarada. Anda difícil impedir essa desenfreada violência provocada pelo modo de se conduzir, quer a pé ou por qualquer outro veículo, pelas avenidas e ruas. E ainda tem gente que reclama dos rigores do Código de Trânsito. Quase ninguém se dá conta de que o calhamaço de normas visa tão somente resguardar a vida.

A começar pelo pedestre, todos têm direitos e obrigações. No entanto, o desrespeito inicia-se em quem anda a pé e continua até chegar ao condutor do mais possante veículo. Todo mundo só percebe o direito, mas se esquece da obrigação. Por seu turno, o poder constituído apenas fiscaliza quando compensa financeiramente.

Alguém aí já viu um policial abordar um transeunte, fazendo uso irregular do espaço público? Nem mesmo o ciclista que transita na contramão de direção ou pelas calçadas recebe um conselho em forma de advertência da polícia.

Dia desses um adolescente descia por uma rua em alta velocidade, no contrafluxo dos veículos. Duplicando o desrespeito, cruzou a via com o sinal vermelho e quase bateu em uma viatura policial. Os policiais seguiram o caminho normal, como se nada tivesse acontecido.

A desculpa da corporação para não abordar ciclistas transitando em desacordo às normas fica por conta de que bicicletas não são cadastradas pela Prefeitura. De nada adianta parar o condutor. A falta de identificação, em forma de numeração inscrita na placa do veículo não possibilita uma sanção.

E a função instrutiva da polícia? Custaria pelo menos parar o ciclista, mostrar-lhe a contravenção praticada, instruir-lhe sobre o risco que está correndo em tal prática suicida no trânsito para depois obrigá-lo a voltar, seguindo a mão de direção exata da via em que estava circulando?

Da outra parte, faz mais de dez anos que o atual Código Nacional de Trânsito está em vigor. Por um de seus dispositivos legais, o ciclista deve seguir todas as regras de circulação dos demais veículos, mas ainda cabe às prefeituras estabelecer meios de identificação e fiscalização das bicicletas.

A prática de emplacar bicicletas, em outros municípios, facilita o trabalho das autoridades de trânsito e ainda protege o condutor. O número de acidentes é bem menor que em Franca. Basta comparar estatísticas para comprovar.

Quem sabe, um pouco mais de educação, seguida de exemplos por parte dos adultos, aliada à instituição municipal do emplacamento de bicicletas, possa contribuir para a diminuição de acidentes fatais envolvendo ciclistas? O que não pode continuar é este trânsito sem respeito por parte deles.

Antônio Araújo
Professor de Redação - tonin.palavras@uol.com.br