A bondade de Deus é grande e o desejo de estar conosco, de morar em nós e nos alimentar com sua palavra e com o pão do céu, que é a Eucaristia. Sendo maior, Ele nos concede viver este domingo, o Dia do Senhor, o dia da reunião dos irmãos e entre irmãos diante do Pai
Nossa cidade se alegra neste final de semana com mais uma edição do Hallel. Pessoas de perto e de longe, crianças, jovens e adultos reunidos, em família, para com músicas, palestras, celebrações e orações “louvar” o Senhor. O tema principal da celebração eucarística deste domingo é o Perdão! Quantas vezes devo perdoar. Os trechos da Palavra de Deus respondem. A primeira leitura é do livro do Eclesiástico, capítulo 27. Todos nós sentimos injustiças ao longo da vida e muitas vezes nossa vontade é reagir de forma agressiva. Tal reação é benéfica? Ao longo da história muitas respostas foram dadas com atitudes.
No passado o método usado era responder à injustiça recebida com uma vingança que tivesse uma dose de violência: pagava-se o mal com lucro. O tempo passou e no livro do Levítico encontramos um progresso para rever tal decisão: “Tu não vingarás e não guardarás raiva contra os filhos do teu povo, mas amarás o próximo como a ti mesmo”. (Lv 19).
PRIMEIRA LEITURA
O trecho da primeira leitura ensina assim: quando se dá livre vazão aos instintos da vingança, de raiva, de rancor, não somente não se alcança justiça, mas provocam-se sérios contratempos.
Defende então que é necessário ir além da simples justiça e abrir o coração a sentimentos de misericórdia. O perdão das ofensas – ensina – é uma condição indispensável para poder rezar e obter o perdão de Deus: “Se alguém conservar rancor no seu coração contra outro homem, como se animará a pedir graças a Deus?” É muito perigoso querer a justiça com as próprias mãos e fazer “acerto de conta”’.
SEGUNDA LEITURA
A segunda leitura é tirada do capítulo 14 a carta de São Paulo aos Romanos. Neste capítulo, Paulo trata de um problema que é sempre atual: como resolver as divergências de opiniões entre os membros da comunidade cristã. Naquela época haviam dois grupos de cristãos: os fracos, que eram apegados às tradições dos antigos e os fortes,que eram mais modernos e se sentiam obrigados a uma única lei: a do amor ao irmão; quanto as mais agiam como pessoas livres. O apóstolo orienta os dois grupos dando-lhes regras, uma para cada grupo. Paulo pede aos fortes que não desprezem os fracos e aos fracos que não julguem os fortes.
Os versículos seguintes (vv.7-9), que são os únicos relatados na leitura de hoje, apresentam um princípio que ajuda a resolver qualquer diferença; tenha sempre presente o cristão que ele não vive para o próprio egoísmo, mas para o Senhor. No seu relacionamento com os irmãos, portanto, não se deixe guiar por considerações humanas. Ele vive e morre somente “para o Senhor”.
SENTIDO DO PERDÃO
No trecho do evangelho escrito por São Mateus encontramos o verdadeiro sentido do perdão. No tempo de Jesus os rabinos condenavam a vingança, a ira, o rancor e exigiam a reconciliação. Diante de Jesus os apóstolos querem saber exatamente qual é o seu pensamento. Jesus responde e sua resposta é recheada do amor que ele sempre anunciou: “Eu não digo que deverás perdoar até sete vezes (isto é: sempre), mas até setenta vezes sete (isto é, sempríssimo)”. Jesus quer dizer que o perdão deve chegar ao infinito. Ele sempre quis encurtar a distância que percebia existir entre o coração de Deus e o coração do homem. Jesus deixa claro que não há pecado algum que ele não perdoe, não há pecado algum maior do que o seu amor.
Não é fácil perdoar como não é fácil também explicar o que signifique realmente perdoar. O perdão de Deus não e uma passada de esponja que apaga o que aconteceu. O pecado é uma coisa séria. Deus manifesta a sua misericórdia, realiza o seu perdão quando transforma o homem e o conduz á conversão, quando provoca uma mudança interior, quando do egoísmo o conduz ao amor efetivo e a atitude dignas dos filhos de Deus.
O ensinamento da parábola, portanto, é o seguinte: os cristãos são filhos de Deus. Também no que se refere ao perdão das ofensas eles devem se assemelhar ao Pai que está nos céus. Devem ter um coração grande como o dele: devem manifestar um amor sem limites.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br