08 de julho de 2026

Redução dos juros


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A posição assumida pelo PSDB nacional contrária à redução da taxa básica de juros (Selic) conduzida pelo Banco Central semana passada é, no mínimo, ridícula. O PSDB que se arvora de líder da oposição ao Governo Dilma, assim o faz sem nenhuma proposta e sem nenhuma objetividade. O ex-candidato Serra, durante a última campanha presidencial, tornou-se insistente ao defender a redução da taxa de juros e chegou a dizer que o Presidente do País deve interferir e opinar nas decisões do Banco Central e, recentemente, no mês de julho, ainda publicou em seu site um crítica àquela que seria a “maior taxa de juros reais em todo o planeta”. Por que discursar diferente agora? Estranho!

Qual é o único setor que ganha com taxas altas de juros? O sistema financeiro! O mesmo que o PSDB ajudou, no governo FHC, através dos casos Marka e FonteCindam. O DEM, aliado decrépito do PSDB e populista como ele só, resolveu atacar a Presidenta Dilma dizendo que ela havia interferido na decisão do Banco Central e que isso causava uma imagem muito ruim para o mercado. Qual mercado? O que vive de especulação e atrai o capital estrangeiro que aqui nada produz ou o mercado produtivo? Obviamente que o Senador Agripino referia-se ao mercado especulativo, porque o mercado produtivo está ansioso por mais e maiores reduções na taxa de juros.

Outra falácia que não dá mais para ouvir é a necessidade de juros altos para combater a “sempre iminente inflação”. Ora, a melhor maneira de combatermos qualquer possível inflação é justamente com mais investimento na produção e, para isso, a capacidade de investimento produtivo não pode ser limitada por juros altos e dificuldade de acesso ao crédito.

O Brasil precisa afastar de vez o medo doentio da inflação porque ela sempre nos impediu de crescer e fazer justiça social. Essa inflação que durante muitas décadas só foi vantajosa para os jogadores do mercado financeiro. Insistir na política de juros altos, como instrumento para conter a inflação é sim ajudar a desindustrialização do país, a perda de empregos e consolidar, no mundo atual, o papel do Brasil como mero exportador de produtos primários. Não é esse o Brasil que merecemos. Precisamos investir no aumento da nossa produtividade para fazer frente aos concorrentes chineses, indianos e seja lá de onde for. Nenhuma indústria investirá em pesquisa e tecnologia ou, mesmo, importará maquinas modernas se os juros altos inviabilizarem esses investimentos e afrouxar o poder de compra do brasileiro.

É importante que todos (Estado e sociedade) compreendam que precisamos ser mais eficientes e produtivos. Eficientes no uso dos recursos naturais (renováveis ou não), eficientes na detecção das vocações naturais do Brasil (e se for o agronegócio, que o faça agregando valor e com excelência), eficientes no desenvolvimento de infraestrutura sem agressão ambiental, eficientes na reforma tributária que reduza os custos produtivos e aumente a competitividade, eficientes em educação e treinamento e eficientes em desenvolver uma nova mentalidade empresarial exportadora que leve nossa indústria a desenvolver novos produtos, mais modernos e com mais valor agregado.

Cassiano Pimentel
Agente de Exportação e Professor Universitário