10 de julho de 2026

Umidade chega a 10% e Franca tem dia parecido ao deserto do Saara


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CLIMA DE DESERTO - Homens praticam exercícios no Poliesportivo na tarde de terça-feira: tempo seco e calor intenso exigem cuidados especiais dos moradores de Franca, como beber muita água e evitar exercícios físicos

A baixa umidade do ar em Franca alcançou resultados alarmantes na tarde de terça-feira. Segundo dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), foi registrado 10% de vapor no ar por volta das 14 horas. O número é o mais baixo dos últimos cinco anos, e superou a última segunda-feira, quando a umidade era de 12%.

De acordo com a medida proposta pela OMS (Organização Mundial de Saúde), a cidade entrou em estado de emergência. Segundo a escala, quando a umidade está inferior a 30% é considerada preocupante; entre 20% e 30% o estado é de atenção; entre 12% a 20%, de alerta; e abaixo de 12%, emergência. Para se ter uma ideia, o deserto do Saara, na África, um dos locais mais secos do planeta, apresenta umidade média entre 10% e 15%.

Marcelo Schneider, meteorologista do Inmet, afirmou que o índice foi o mais baixo dos últimos cinco anos. A menor porcentagem registrada anteriormente havia sido em 22 de agosto de 2006, quando a umidade atingiu os 14%. Em levantamento feito, Schneider apurou que a situação da tarde de ontem foi uma das dez mais críticas desde 1961 - quando as medições meteorológicas começaram.

A temperatura quase bateu recorde também. Entre as 10h e as 16h, o calor atingiu os 32ºC. A maior temperatura deste ano foi registrada em 30 de agosto, quando os termômetros marcaram 32,4ºC. E o calor intenso deve continuar pelo feriado e seguir até esta quinta-feira - quando a previsão de máxima é de 32ºC. Há possibilidade de alcançar a maior temperatura do ano.

Apesar de o estado ser de emergência, não foi necessário ser tomada nenhuma providência pelo poder público, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura. A maior preocupação seria nas escolas municipais, porém, a assessoria informou que não foi preciso que os alunos tivessem aulas ao ar livre ou que as atividades físicas fossem suspensas, já que a maioria das quadras é coberta.

CUIDE-SE
Os maiores cuidados devem partir da própria população. Deve-se evitar atividades ao ar livre entre 10h e 16h, suspender atividades que exijam aglomerações de pessoas em recintos fechados no mesmo horário e manter úmidos os ambientes internos, principalmente quarto de crianças e hospitais. “São vários dias sem chuva, o ar fica muito poluído com as queimadas. Acontece a inversão térmica, pois o clima não é favorável à dispersão dos poluentes”, completou Schneider.

Nos períodos de baixa umidade, cresce o número de pacientes com problemas respiratórios. No consultório do médico pneumologista Ciro Botto, o aumento é de até 50%. “Pacientes portadores de sinusite, asma e outros problemas crônicos sofrem mais nesta época.”

Ciro explica que a umidificação do ambiente é importante para ajudar a criar uma situação compatível com as necessidades do corpo. “Para o bom funcionamento do sistema respiratório é preciso que a umidade do ar esteja acima dos 60%, caso contrário surgem muitas infecções.” A umidificação pode ser feita com toalhas molhadas, recipientes, como baldes e bacias, com água ou umidificadores.