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17h05. Horário de saída das fábricas. Na Avenida Severino Tostes Meirelles, no Distrito Industrial, um trecho de apenas 500 metros concentra 25 motociclistas. A cena é corriqueira no trânsito francano. A cidade tem uma das maiores frotas de motos do Estado. São 51.293 em circulação, segundo dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) - a Prefeitura estima que existam 62 mil motos nas ruas da cidade, pois muitas estão cadastradas em municípios vizinhos. Em 2001, eram 17.775. O crescimento foi de 188% em uma década. A frota total de veículos aumentou 92% no mesmo período e atingiu a marca de 188.961 em julho de 2011.
O sociólogo e pesquisador do Laboratório de Sustentabilidade da Unesp de Franca, Agnaldo Barbosa, disse que o fato de Franca ser uma cidade industrial e ter renda média inferior a outras cidades justifica a “opção” pelas motos. Segundo pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), no município a renda média per capita é R$ 878,11, valor inferior aos ganhos de 14 cidades com mais de 300 mil habitantes do Estado. “Tempos atrás, os trabalhadores usavam a bicicleta, mas com o crescimento da cidade e as facilidades de compra optam pelas motocicletas, que são mais ágeis”, disse Agnaldo.
Pelo ritmo de vendas, a circulação de motocicletas em terras francanas continuará intensa. Somente neste ano, a Ciretran emplacou em média 380 motos novas por mês. Em atividade desde 1986, a Hido Motos vendeu 73 motos ao longo de um ano na década de 90 e há três anos chegou a comercializar 280 motos por mês. “Até 2008 mantivemos essa média de vendas, mas com a crise financeira mundial sofremos redução. Mas o mercado está se recuperando e a tendência é atingir esse volume de vendas novamente”, disse o proprietário Hidomeneu Passos Pierri Filho, que registra baixa no estoque de 180 unidades por mês. “Moto é um produto barato, econômico e com baixo custo de manutenção”, diz.
A facilidade de crédito turbinou a procura pelas máquinas de duas rodas. Anos atrás o financiamento era parcelado em no máximo 24 vezes e hoje pode ser quitado em até 60 meses - cinco anos. O valor dos veículos também caiu. Nas lojas de Franca encontra-se moto zero quilômetro financiada a partir de R$ 150 por mês (a parcela de um carro seria a partir de R$ 650, sem entrada).
TRANSPORTE PÚBLICO
Franca possui uma das tarifas mais caras do transporte circular. Reajustada em julho, a passagem passou para R$ 2,65. Em 2001, era R$ 1,05. Hoje, se trabalhar 22 dias no mês, o usuário terá de desembolsar R$ 116,60 por mês para ir e voltar do trabalho. Se gastar pelo menos mais R$ 35, consegue comprar uma moto zero e deixa de ser refém dos horários de ônibus e das insatisfações com o transporte coletivo da cidade. A migração do transporte público para o particular é comprovado pelas estatísticas da Empresa São José, que deixou de atender três mil passageiros por dia nos dois últimos anos. “O preço do transporte público em Franca é caro e muitas vezes não atende as necessidades do usuário”, disse o sociólogo Agnaldo Barbosa.
Há um ano, a auxiliar de escritório Bárbara Souza, 19, decidiu comprar uma Biz. Financiou o valor total e paga parcelas de R$ 285. “Gasto R$ 7 com combustível por semana. Se dependesse de ônibus, gastaria mais de R$ 10 por dia para ir e voltar do meu serviço e almoçar em casa”, disse. “E o dinheiro do ônibus acaba, pagando a moto estou investindo em algo para mim.”