A indústria de calçados femininos de Franca tem um novo foco: a linha flat, sapatos de saltos baixo e médio. A nova tendência é evidente nas vitrines e se reflete nas produções. Em sete fábricas consultadas pela reportagem, os modelos sem saltos representam até 70% da coleção e 80% do total das vendas. A inversão no mercado é resultado da busca pelo conforto e bem-estar entre as mulheres.
Segundo o setor de marketing da Carmen Steffens, a procura pela linha flat aumentou 40% em relação ao ano passado. De quase 300 modelos de calçados que compõem cada coleção, 60% correspondem hoje a rasteiras, sapatilhas, saltos baixos e médios.
O estilista da Abruzzo, Donizete Silva, afirma que a inversão teve origem no mercado e a empresa teve de se adaptar para atender as consumidoras. O feedback veio dos próprios lojistas espalhados por todo o Brasil.
“A partir de um modelo de salto, eles pedem para fazer o mesmo design num calçado baixo. Como hoje empregamos na produção dos femininos a mesma tecnologia computadorizada dos calçados masculinos, a troca é imediata”, diz Silva, que trabalha na fábrica há 10 anos, quando a empresa - fundada em 1989 - abandonou a confecção de masculinos para investir nos femininos.
Ele revela ainda que há um ano 90% da coleção era de sapatos com saltos e o mocassim representava apenas 10%. “Hoje, os baixos dominam a produção com 70% da coleção e representam 80% do total das vendas (os sapatos com saltos 3/5 são os mais procurados)”, conta o estilista. A diferença de custo entre os calçados é de R$ 30.
Há 60 anos no mercado, a Canterbury fabrica calçados femininos desde 2000.
Desde as primeiras botas a empresa já buscava tendências voltadas sempre para o conforto. Hoje, a produção é marcada por 70% de calçados baixos e médios, como sapatilhas e rasteiras, e apenas 30% de sapatos de saltos altos, meia-patas e plataformas. “Há uns cinco anos, era o contrário: cerca de 60% de salto alto e 40% baixo”, lembra o proprietário Luis Alfredo Moreira.
“Confeccionamos os calçados inteiramente em couro para diminuir o impacto. Alguns modelos ganham duas opções de saltos e a nossa coleção tem agradado a uma faixa etária maior, desde adolescentes e jovens até senhoras”, afirma a proprietária da loja Canterbury, Ana Paula Rodrigues Moreira.