08 de julho de 2026

Mais problemas nas escolas


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Matéria publicada pelo Comércio no domingo, 28/08, chama a atenção para o excesso de alunos em muitas das salas de aula da região, a maioria delas em Franca. Em se tratando de escola pública, porém, não há nada de novo, apenas mais um problema, aos quais já estamos nos acostumando, infelizmente.

Como a qualidade do ensino já está bastante deteriorada, assim como as instalações e o ambiente escolar, talvez nem venhamos a perceber as conseqüências ruins desse excesso de alunos.

Mas, claro, elas existem, sobretudo para alunos, mas também para a sociedade e para os professores, seres que parecem cada vez mais isolados nesse mundo pobre da educação brasileira, mesmo em meio à lotação dessas salas.

Imaginem a sensação de impotência que deve perpassar esses profissionais mediante tanto descaso e abandono, não apenas por parte do poder público, mas também de toda a sociedade. Imaginem a desilusão que sofrem com esse estado de coisas, eles que saíram de suas faculdades com tantos sonhos e expectativas, plenos de vontade e energia para mudar os rumos de nosso sistema educacional.

Nessas condições adversas, vivem em meio a um ambiente que colabora para a dispersão e para o ruído. Dessa forma, antes de pedir o silêncio e a atenção dos alunos, muitos deles indiferentes aos estudos, à escola e até mesmo ao professor, esses mestres devem enredar-se em pensamentos solitários e recorrentes.

Pensamentos que devem questionar a razão de ser de tantos projetos, congressos, propostas, treinamentos e discussões teóricas se no final acabam jogados em salas e escolas que não apresentam as condições necessárias para se realizar aquilo que foi planejado. Pensamentos que em alguns momentos precisam buscar os culpados para descarregar o estresse, sejam eles o governo, a direção, os alunos ou seus pais.

Pensamentos que devem silenciosamente questionar as inúmeras propostas pedagógicas que são constantemente criadas e testadas pelas autoridades competentes, mas que parecem não levar a lugar nenhum, sendo trocadas e esquecidas no mesmo ritmo em que são implantadas. Pensamentos que já não se importam com o desrespeito e a indisciplina que invadem as escolas, indiferentes às noções básicas de civilidade e cidadania. Pensamentos que, em certos momentos, devem se solidarizar com os alunos, compreendendo que para eles, talvez, a escola não seja nada além de um espaço chato e sem finalidade, onde se aprende apenas conteúdos que nunca serão usados.

Solitário em meio a todos esses problemas e pensamentos, com poucos recursos, baixa remuneração e quase nada de reconhecimento, resta ao professor a frustração de ver a aprendizagem escorrer-lhe pelas mãos.

Enquanto tudo isso acontece em nossas escolas, nossas autoridades garantem os recursos necessários para a copa do mundo. Brasília tenta antecipar o próximo escândalo e Sarney deve estar planejando uma nova aposentadoria.