A questão da mortalidade infantil suscita intensos debates. Como os fatores que influenciam no processo são variados, as opiniões sobre eles também divergem. Para alguns especialistas, sua redução está diretamente ligada ao crescimento da economia e à distribuição mais igualitária de seus resultados. Para outros, ela pode se dar de forma independente, tanto da economia como da distribuição das riquezas. Nesse caso, os países em desenvolvimento podem aprender com os países mais ricos, importando tecnologia, estratégias e as políticas públicas ali desenvolvidas.
A preponderância desses fatores, bem como certa combinação entre eles, dependerá de cada país e de seus contextos econômico, político e tecnológico. Se analisarmos a queda na mortalidade infantil nos países da Europa Ocidental, vamos perceber que o desenvolvimento da economia e a melhor distribuição da renda foram fundamentais para esse processo. Como exemplo, basta olhar para a Inglaterra de hoje e para aquela do século XIX, período de uma industrialização intensa e bastante ‘selvagem’, tão bem fixado na literatura pela obra de Charles Dickens e na sociologia pela análise de Engels sobre a situação da classe trabalhadora.
Já em países de desenvolvimento tardio, como o Brasil, o combate à mortalidade infantil deu-se por outro caminho. Pela maior facilidade de comunicação e de troca de experiências, transplantou-se para cá o que tinha dado certo nos países desenvolvidos. Dessa forma, combateram-se as doenças infecciosas e endêmicas, intensificaram-se as políticas de saúde pública e investiu-se em saneamento básico, tudo isso sem comprometer a excessiva concentração de renda ainda vigente, tanto no Brasil como em vários desses países.
De qualquer forma, há que se comemorar. No caso brasileiro, em 1960, a cada mil crianças que aqui nasciam, aproximadamente 180 morriam nos primeiros anos. Hoje, o índice nacional está próximo a 20. A região de Franca, especificamente, a terceira melhor do Estado, apresenta 11,1 óbitos para cada mil crianças nascidas com vida, um número próximo ao da Noruega e melhor do que aquele apresentado por Chile e Argentina.
É um passo formidável em direção a uma sociedade mais justa e equilibrada, não há dúvida. No entanto, não podemos facilitar. Além de implementar tecnologias e estratégias desenvolvidas e experimentadas em países mais desenvolvidos, é preciso continuar lutando para distribuir a riqueza produzida de forma mais justa e igualitária, uma maneira simples e objetiva de melhorar a qualidade da alimentação, da educação e do fluxo de informação entre as camadas mais carentes da população. É preciso, também, continuar melhorando as condições médico-sanitárias que impactam a vida das pessoas, como o esgoto, a água tratada, a pavimentação das vias públicas e a condição de moradia.
De maneira criativa, bem afeita à característica empreendedora do brasileiro, é preciso mesclar esses dois caminhos para que possamos, em breve, comemorar um índice de mortalidade ainda menor.