“É muito barulho. Não consigo ter controle de todos. Mais um pouco, eles (os alunos) passam por cima de mim.” A frase é de uma professora de ensino médio que após 20 anos de carreira diz que está cansada do ofício e de ter que enfrentar salas de aula superlotadas. Ela, que pediu para ser identificada apenas como Maria, disse que sempre sai exausta quando leciona em salas com 40 alunos ou mais. “Fico com dor de cabeça, me sinto velha e sem pique. A gente se desgasta demais e não tem a valorização que merece.”
Quem também reclama da situação é o professor de português e inglês Rubens Rodrigues Guerra, 54. Ele dá aula para 24 salas em mais de uma escola, como a “Antônio Fachada”, e diz que metade delas está lotada, principalmente no período da manhã e noite. Segundo ele, a situação limita o professor na hora de fazer uma aula diferente, mais dinâmica. Para aplicar uma prova, Guerra diz ser necessário preparar duas avaliações diferentes. “Só assim para dar certo, uma fileira faz uma prova e a fileira do lado faz outra. Do contrário, é preciso ter dois professores na sala.”
Segundo ele, além da lotação, outro problema enfrentado é a falta de respeito dos adolescentes. “Os professores e funcionários fazem o possível, mas além da infraestrutura precária, os alunos não estão interessados. Nem o fato de ser homem inibe.”
Para Silvio Damasceno, que também é coordenador da Apeoesp, em salas mais cheias não se consegue dar a atenção a todos os alunos. “Você tem que falar mais alto e não consegue atender a todos. Enquanto você explica, um monte de gente conversa. Preciso parar toda hora e a classe dispersa.” Segundo ele, na região já houve escola com 49 alunos na mesma sala de aula.