09 de julho de 2026

Salas de aulas das escolas de Franca e região estão no limite


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Ao menos 10 escolas da região estão no limite de suas lotações. Dessas, oito estão em Franca. Algumas comportam mais alunos que o indicado pelo sindicato dos professores. Superam, até mesmo, o limite estabelecido pela Secretaria de Estado da Educação. Dados do Ministério da Educação, com base no Censo Escolar 2010, apontam que as 10 unidades escolares têm em média 39 alunos matriculados na mesma classe - 38,8 no ensino fundamental e 40,5 no ensino médio (veja quadro nesta página). A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) defende que do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, o ideal seriam 25 alunos por sala; já do 6º ao 9º ano, cada sala deveria ter até 30 estudantes e no ensino médio, no máximo 35 alunos por sala de aula. O Estado estabelece um limite um pouco maior de alunos por classe (leia texto na página ao lado).

O número de alunos por sala das escolas da região supera ainda as médias estadual e nacional. Segundo o Censo Escolar, no Estado de São Paulo a média de alunos por classe de aula é de 29,8 no ensino fundamental e 35,7 no médio. No País, a média é ainda menor. Chega a 27,7 no fundamental e 32,9 no médio.

O caso mais grave de sala abarrotada de alunos foi encontrado em Igarapava, na escola “Professor Martinho Sylvio Bizutti”. Segundo o Censo, a escola estadual teve média de 44,8 alunos por sala no ensino médio no ano passado. Na última sexta-feira, uma funcionária da escola disse que a situação atual não é diferente. As salas continuam cheias. O problema estaria na vinda de muitos migrantes, do Norte e Nordeste do País, para o corte da cana na região. “Eles chegam depois que as aulas começam e não tem como negar matrícula. Abrir outra sala também pode ser arriscado porque muitos desistem de estudar”, disse a funcionária que não quis se identificar.

Em Franca, de 54 escolas pesquisadas, 15% estavam com salas cheias no ano letivo de 2010. O inchaço, segundo professores e diretoras de escolas, também ocorre para atender a demanda de estudantes. Na escola “Ana Maria Junqueira”, na Vila Raycos em Franca, a vice-diretora Heloísa Helena confirmou nesta semana que a instituição ainda possui salas cheias no ensino médio, mas disse que os professores estão acostumados a dar aulas nessas classes. “A gente já trabalha há bastante tempo com salas cheias, pois existe capacidade física. Além disso, o controle da sala depende do professor”, disse a vice-diretora.

Na “Ana Maria”, o Censo mostrou uma média de 41,2 alunos por sala de aula no ensino médio e 39,1 no fundamental. “Não temos problemas, apesar de concordar que em salas menores é mais fácil trabalhar, mas temos que atender a demanda de matrículas.” Heloísa disse ainda que pelo “módulo” da escola é possível colocar até 45 alunos em sala de aula.

Com maior número de alunos por sala (41,6), a direção da Escola “Suely Machado”, no Jardim Brasilândia, preferiu não se pronunciar. Uma mulher que se identificou apenas como Bel e disse ser a diretora da escola não quis explicar o porquê de salas tão numerosas.

Para o coordenador da subsede da Apeoesp, Silvio Carlos Damasceno, a situação das escolas de Franca e cidades vizinhas continua a mesma retratada pelo Censo Escolar 2010, principalmente nos bairros mais periféricos. “A quantidade de salas superlotadas é grande e o Governo entende que não existe necessidade de novas salas de aula. Ele não quer dividir uma de 40 alunos em duas de 20.”