O programa empreendedor individual, do governo federal, tem tirado muitos trabalhadores da informalidade em Franca. Segundo dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a cidade já tem mais de 3 mil pessoas regularizadas em dois anos de programa. Em 2010, surgiram 1.340 novos empresários. Este ano, o número já superou o total do ano anterior e 1.667 já saíram da informalidade - até 21 de agosto.
Entre os empreendimentos mais escolhidos está a venda de roupas e acessórios (com 12% do total), salões de cabeleireiros (7%) e serviços em obras, como pintores, eletricistas e pedreiros (4%). De acordo com a gerente regional do Sebrae - Franca, Iroá Nogueira Lima Arantes, o setor que mais cresce é o comercial. “A perspectiva para os próximos dez anos é que o comércio aumente ainda mais”, afirmou.
A zootecnista Maria Beatriz Menezes de Andrade, 44, foi uma dos novos empresários que escolheram a venda de roupas como negócio. Dona da loja Bia’s GG, ela tem todos seus produtos voltados para pessoas que estão acima do peso e têm dificuldade em escolher seu vestuário. Bia começou como sacoleira em fevereiro deste ano e resolveu formalizar seu empreendimento em abril. Agora, na Rua Comandante Salgado, montou sua loja. Com a permissão para utilizar uma máquina de cartão de crédito, os clientes aumentaram. As vendas, que antes eram apenas para parentes, agora contabilizam mais de 100 clientes. Um aumento de quase 80% em seu faturamento.
A peculiaridade de vender roupas apenas para gordinhos nasceu de uma necessidade própria. “Como eu sou gordinha e sempre encontrei dificuldades de achar roupa para mim, eu viajava muito e sempre gostei de ficar procurando esse tipo de roupa”.
DIVERSIDADE
O cabeleireiro Marcelo Glauco Paradiso, 37, também é um dos novos empreendedores francanos. Vindo de São Paulo há cinco anos, instalou-se no Bairro São Joaquim e lá começou a prestar serviços como pessoa física.
Em 2010, quando conheceu o projeto do governo, não teve dúvidas, e foi um dos primeiros a cadastrar-se. Com isso, ganhou crédito, pode lançar notas fiscais e ter um gerenciador financeiro. Hoje, tem um salão amplo para atender seus clientes, no mesmo bairro onde começou.
Paradiso também destaca a facilidade do uso do cartão de crédito como pagamento, que representa 60% de seu faturamento. O cabeleireiro também aponta um aumento de cerca de 80% em sua renda, e afirma que o valor está quase batendo o máximo de faturamento para um empreendedor individual - e almeja vôos maiores. “Pretendo me tornar microempresário em breve.”