08 de julho de 2026

Superstições


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Agosto é tradicionalmente considerado o mês das superstições e de mau agouro. A tradição tem-no consagrado ao folclore – manifestação da cultura popular – e, no campo da religiosidade, consideram-no mês das crendices e do fantástico. Tais extravagâncias não são objeto de crença da Doutrina Espírita, que exige fé raciocinada. Por isso, enuncia O Evangelho segundo o Espiritismo: “fé inabalável só o é aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da humanidade”.

Assim, fé não pode ser dissociada da razão. O Espírita só deve crer no que pode a razão admitir e explicar. Nada de fé cega. O saber é mais valioso do que o crer por crer. Tem-se fé porque convence-se de que a coisa em que se acredita é substantiva, tem “consistência” fundamental. Sendo a razão corolário da ciência, a Doutrina Espírita jamais se chocará com a verdade. Sempre que alcançar uma “verdade” que se lhe mostre convincente, está pronta para substituir a verdade cuja feição lhe convencia. A par disso, além do seu aspecto filosófico, exibe-se na condição de novo campo de raciocínio científico, especialmente nas pesquisas psicobiofísicas.

Corajosamente, Allan Kardec afirma, em A Gênese, a última na ordem de publicação das “obras básicas”, que “o Espiritismo caminhará de par com a ciência. Se esta demonstrar que o Espiritismo está em erro em algum ponto, ele se modificará nesse ponto.” Fica aí demonstrada a evidência da aceitação dos postulados científicos, porque fundamentalmente inerentes à Doutrina. Afastado o preconceito e eis que a interação de ambas as dimensões da vida torna-se área de curiosa e urgente pesquisa científica. Seu campo de buscas não lhe é particular, mas é a própria Natureza, na sua condição de expressão do Pensamento Divino, porém, com leis peculiares a exigirem métodos próprios e instrumentos adequados, operados pelo psiquismo, fator responsável pela ação, reação e interação interdimensionais.

A moderna parapsicologia, continuadora e ampliadora da Metapsíquica, adotou vários campos de pesquisa, buscando definir os fenômenos ditos paranormais. Para tanto, criou as áreas dos fenômenos Psigama, Psikapa e Psiteta, procurando englobar toda a fenomenologia que foge às leis físicas conhecidas. Há mesmo vários pesquisadores tornados claramente favoráveis ao pensamento espírita, que fez esboroar todas as crenças com falsa consistência nas fantasias e superstições. O Espiritismo respeita todas as crenças e jamais se arvorou de dono da verdade, mas, ensina-nos a considerar que a Vida submete-se às inderrogáveis leis universais, expressão da Suprema Inteligência, Causa de todas as causas.

Bem a propósito, recomenda-se atenta leitura do capítulo IX de O Livro dos Espíritos, mas, consideremos a base em Jesus, quando nos advertiu: “A cada um segundo as suas obras”, asseverando-nos que a Lei é de consequências, e que a cada ação corresponderá uma reação, o que nos solicita sentimento ativo balizado na razão.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca (Idefran)