O vice-prefeito de Pedregulho, Paulo Eduardo Jorge (PSDB), e o secretário do Trabalho, Eurípedes Aparecido Porto da Silva (PSDB), devem manter distância de 100 metros do radialista Juarez da Silva Campos. O locutor deve cumprir a mesma determinação em relação aos dois políticos. De acordo com mandado expedido na última quarta-feira pelo juiz do Fórum de Pedregulho, Luiz Gustavo Giuntini de Rezende, o radialista também está proibido de utilizar o microfone para qualquer programa na Rádio Sociedade FM. A determinação vale para os próximos seis meses.
Foram registrados três boletins de ocorrência sobre o desentendimento entre os políticos e o radialista na delegacia de Pedregulho, no dia 17 de agosto. O radialista, que é filiado ao PT, disse que apresenta diariamente o programa Sociedade Notícias na Rádio Sociedade FM, e que no dia da confusão tinha noticiado a mesma informação que outros veículos de comunicação da região teriam dado. “De que os bens do vice-prefeito estavam sendo bloqueados pelo Ministério Público por causa de uma investigação em processos licitatórios da Prefeitura. Simplesmente informei. Faço comentários de notícias do Brasil, do mundo e locais. Sempre faço críticas às coisas do município, mas eles (políticos do PSDB) acham que não posso falar sobre o escândalo que existe aqui”, disse Juarez.
O vice-prefeito, conhecido como Turquinho, disse que estava na porta da casa do vereador Odilon Bernardes (PSDB) - que mora perto da residência de Juarez - acompanhado do vereador Eurípedes, o Cidinho, quando sofreu uma tentativa de homicídio. “Eu estava esperando o Odilon quando o Juarez apareceu e veio em cima de mim com o carro em alta velocidade, mas eu desviei. Eu disse: ‘você está ficando louco?’, mas ele falou: ‘eu vou te matar’ e já entrou correndo para dentro da casa dele”, disse Paulo Eduardo.
Segundo o vice-prefeito, o problema é político. “Ele foi candidato a vereador pelo PT e ficou com rancor que a gente (PSDB) ganhou. Ele montou a rádio há um ano e dois meses para falar mal da administração, dos funcionários públicos, da Câmara Municipal e inclusive do poder Judiciário, da polícia, do delegado”, disse Jorge, que aprovou a determinação da Justiça. “A decisão foi boa para acalmar a cidade, me sinto mais seguro.”
O vereador Eurípedes tem a’ mesma versão do colega e denuncia que a rádio não é utilizada para fins comunitários. “É um grupo político do PT que denigre a imagem do Legislativo, Executivo e Judiciário. Ele (Juarez) declarou guerra aos adversários políticos e jogou o carro no Paulo na maior covardia. Estou com medo de andar na rua por causa desse cidadão.”
PUXÃO DE ORELHA
Juarez disse que as acusações são mentirosas e apresentou outra versão para o desentendimento. “Saí da rádio e na porta vi eles (Paulo e Eurípedes) passando duas vezes, me vigiando (porque ele tinha acabado de veicular a notícia do bloqueio de bens). Quando cheguei na porta da minha casa e ia entrar na garagem, eles (cinco pessoas) vieram em alta velocidade para cima de mim. O Paulo veio gritando e falando que eu não podia falar o nome dele na rádio e enfiou a mão pela janela do carro, puxou a minha orelha e disse que ia me bater”, relatou o radialista.
O radialista disse também que vai ao Tribunal de Justiça pedir um mandado de segurança para garantir o seu direito de expressão. O juiz não comentou o caso.