A sociedade moderna, além de assimilar as mudanças em curso, precisará reaprender velhas práticas, positivas e necessárias para o convício social. Estamos vivenciando a evolução – ou progresso – da tecnologia da informação que se transforma, a cada dia, na base das revoluções social, econômica, política, ambiental e, obviamente, da comunicação.
Entretanto, na essência de tudo isso, está a prática política que nada mais é do que a maneira como nos interagimos, através da política institucional, na sociedade. Fazer política, no contexto dos desafios atuais, significa mudar o discurso sobre os velhos temas que envolviam as ‘diferenças sociais’ para uma prática que construa a perspectiva de um futuro completo. As absurdas e atrasadas diferenças sociais só se resolverão com o estabelecimento de uma nova cultura política.
A sociedade tem estruturas que precisam ser fortalecidas para ajudar a restabelecer a confiança na política que resgate os antigos valores de liberdade e igualdade. Esses valores precisam ser expressos de maneira mais abrangente. Liberdade e igualdade só existirão com educação, cultura, gestão ambiental, com equilíbrio no uso dos recursos naturais e tecnologia acessível a todos, com o fim das mazelas primitivas como a fome e a intolerância religiosa e com o pleno acesso, de todos, à tecnologia da comunicação e à informação.
Infelizmente, políticos conservadores, detentores de discurso pseudomodernos, não comungam da cartilha das transformações e, a sociedade, extorquida no seu direito de participação, ainda os vê como bons administradores. Só é bom administrador, nesse tempo de transformações, quem tem visão global do mundo e da vida. Aliás, ter noção do que significa a vida, no contexto do humanismo, é importante para o cidadão aprender que política não se delega sem critérios, mas se pratica através dos atos do cotidiano.
Político transformador não é apenas administrador do cotidiano, mas é aquele que deixa legado que vislumbra o futuro. Não importa o tamanho desse legado, mas a marca que fica na transformação realizada. Logo teremos eleições municipais e a sociedade precisa reaprender a fazer política focando desejos e necessidades do presente e do futuro.
O mundo, realmente, se transforma. O Oriente Médio rompe com uma cultura milenar e, certamente, provocará transformações profundas nos seus povos, nos aspectos econômico, religioso e social. Os recursos naturais escasseiam e mundo começa a buscar fontes alternativas para o básico e elementar. A lógica do capital sem limites começa a desmoronar e o Estado torna-se, cada vez mais, ponto de equilíbrio para a manutenção da estrutura produtiva e social. Os Estados Unidos declinam e o Brasil ascende. Os povos excluídos começam, por necessidade e no peito, a invadir os velhos países ricos e mostrar que a qualidade de vida e o bem estar social são direitos pertencentes a todos e começam a realizar uma mistura racial importante para a civilização do futuro.
Por trás de tudo isso está a tecnologia da comunicação. Certamente, se a sociedade não utilizar o poder que essa tecnologia possui, os políticos conservadores o farão e retardarão as mudanças necessárias.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário