11 de julho de 2026

Franca tem R$ 2 mil financiados por habitante, revela pesquisa


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REALIZAÇÃO - Graças aos financiamento, a balconista Iriane da Cunha Nunes, 30, possui um carro e uma casa própria

A grande oferta de crédito encorajou os francanos a se endividarem. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Economia da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) junto ao Banco Central, em maio deste ano o volume financiado em Franca chegava a R$ 652.726.328. Levando em consideração a população da cidade (318.640 habitantes) é como se cada francano tivesse financiado R$ 2.048.

O número é 34% maior que o mesmo período de 2010, quando foram financiados R$ 485,8 milhões. Em comparação a dezembro, quando as compras a prazo tendem a crescer por causa do Natal e do recebimento do 13º salário, a alta nos financiamentos em maio foi de 4%. São contabilizados financiamentos imobiliário, comercial, industrial e agrícola.

O mesmo levantamento mostra que as operações de crédito em geral - incluindo também empréstimos - tiveram aumento de 21,53% na cidade, e atingiram R$ 1.529.553.722. Para o economista Antônio Vicente Golfeto, essa é a prova de que o poder aquisitivo do francano cresceu consideravelmente nos últimos anos, e a economia está numa crescente, ao contrário de Ribeirão Preto, onde o aumento das operações de crédito foi de apenas 3,85%. “Se você pegar a história de cinco anos, Franca está à frente. Isso é um dado positivo. Mas o que causou a crise nos Estados Unidos? As dívidas. Vocês estão vendo as dívidas da sociedade”, alertou Golfeto, lembrando que esses dados representam gastos, e podem levar a uma alta da inadimplência.

Em comparação com as 21 maiores cidades do Estado, incluindo a capital, Franca ocupa a 15ª posição dos municípios com maior volume de financiamento.

SONHO REALIZADO
O setor imobiliário, um dos que mais crescem em Franca, financiou sozinho R$ 410,5 milhões e é disparado o maior responsável pelos altos números. E foi através de um financiamento que a balconista Iriane da Cunha Nunes, 30, moradora do Jardim Paulistano II há um ano, conseguiu realizar o desejo de ter sua casa própria. Casada há oito anos e com um filho de cinco, Iriane morou de aluguel por três anos. Em uma casa de três cômodos e sem garagem, no mesmo bairro onde mora, gastava R$ 300 por mês.

Graças ao patrão de seu marido, que é construtor, surgiu a oportunidade de financiarem um imóvel no valor de R$ 90 mil, pelo Programa Minha Casa, Minha Vida. Após seis meses de aprovação de documento e muita burocracia, a balconista conseguiu mudar-se com sua família para uma casa maior, com quatro cômodos e um quarto só para seu filho. Há também uma garagem e um quintal, que permite que a casa seja aumentada. O financiamento é de 25 anos, com prestações de R$ 550.

Mas esse não é o único financiamento de Iriane. Seu carro também é financiado, mas estará quitado em dezembro deste ano. “É o direito do pobre comprar. Se não fosse financiamento eu não teria um carro, não teria uma casa, porque é difícil para nós que ganhamos um salário.”

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