Acalentava já há algum tempo a vontade de escrever sobre os chamados ditos ou ditados populares. São pequenas frases utilizadas pelas pessoas e que sintetizam idéias que vão passando dos pais para os filhos, e assim, acabam eternizadas.
Esses ditos populares, quase sempre utilizados de forma jocosa, são comuns em todo o Brasil, mas especialmente em Minas Gerais, meu estado natal. Funcionam, com as devidas reservas, mais ou menos como os brocardos jurídicos, alguns em latim, ainda muito utilizados por advogados na construção de peças jurídicas.
A guisa de exemplo relembro alguns brocardos latinos mais utilizados no dia a dia forense: ‘Dura Lex sed Lex’ (A lei é dura mas é a Lei); ‘Alea jacta est’ (A sorte está lançada), ‘In dubio pro reo’ (A dúvida interpreta-se em favor do réu), ‘Data venia’ (com respeito), ‘Bonus pater familiae’ (Bom pai de família), ‘In claris non fit interpretatio’ (Leis claras interpretam-se por si mesmas), ‘Salus populi suprema Lex esto’ (Que o bem estar do povo seja a lei suprema), ‘Dormientibus non succurrit jus’ (O direito não ajuda aos que dormem).
No tocante aos ditos populares, relaciono alguns que foram por mim colecionados:
• Quem não pode com a mandinga não carrega patuá;
• Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça;
• Onde há fumaça, há fogo;
• Mais vale um pássaro na mão que dois voando;
• Quem tem dó de angu não cria cachorro;
• Cabaça que leva azeite não presta mais prá por água;
• Esmola demais o santo desconfia;
• Cana na roça dá pinga. Pinga na cidade dá cana;
• Quem tem medo não ri de noite;
• O apressado come cru e quente;
• Pardal que voa com joão-de-barro acaba servente de pedreiro;
• Se casamento fosse bom não precisava testemunha;
• Cartão de crédito compra o que não precisa com o dinheiro que não tem;
• Bobo e estrada esburacada nunca acaba;
• A vingança é um prato que se come frio;
• Água mole em pedra dura tanto bate até que fura;
• Se não tem tempo para assar, frita;
• É tão doido que belisca azulejo;
• Relógio que atrasa não adianta;
• Em terra de jacu, inhambu não pia;
• Vão os anéis, ficam os dedos;
• Onde a viola entra, a enxada sai.
• Nem tudo que reluz, é ouro;
• Depois da tempestade vem a bonança;
• Casa de ferreiro, espeto de pau;
• Quem com ferro fere, com ferro será ferido;
Óbvio que os estimados leitores certamente se lembrarão de muitos outros, todos igualmente citados e eternizados pelo imaginário popular.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca