Nos anos 90 a Califórnia surpreendeu o mundo com a exigência de carros com taxa zero de emissão de poluentes. Foi uma verdadeira corrida de fabricantes e diversos carros elétricos apareceram no mercado. Parecia que uma nova era fora inaugurada. Porém, as autoridades foram afrouxando e os carros elétricos perderam sua chance.
Os híbridos apareceram, o Hidrogênio prometeu mundos e fundos, mas nada aconteceu de revolucionário.
Mesmo no Brasil, houve algumas tentativas. E para nosso País é algo muito interessante, haja vista que temos muita hidroeletricidade e grande potencial termoelétrico dos detritos vegetais nas usinas de álcool.
A imprensa divulgou que o governo pretende estimular o mercado de carros elétricos começando com um incentivo à importação para criar demanda e infraestrutura necessária de abastecimento. O maior problema ainda é o desenvolvimento de baterias mais baratas e com maior autonomia de quilometragem. Atualmente, com baterias de lítio que custam até US$ 50 mil, com autonomia de 300 km, um carro elétrico não sairia por menos de US$ 100 mil – R$ 160 mil.
Quem está tomando iniciativa é a Petrobras, juntamente com a Itaipu e a Fiat, pretendendo desenvolver um carro elétrico nacional. A própria Fiat já tem dois modelos experimentais movidos a eletricidade. Há muito para se fazer.
Hoje, produzir carro elétrico paga IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, de 25% (os veículos convencionais pagam 12%, em média) e o Imposto de Importação está entre 30% e 35%. O Ministério da Fazenda ensaiou anunciar incentivo para o carro elétrico, mas o então presidente Lula, desistiu.
Não dá para acreditar que um País que tem perdido espaço na exportação de produtos industrializados tenha essa voracidade com impostos. Além do que, aumentar a produção nacional significa novos empregos e outros impostos indiretos, muito mais interessante para a nação.
Também é preciso pensar em crédito para financiar e facilitar a venda, muitos incentivos. E não custa lembrar que é preciso aperfeiçoar a legislação automotiva; criar, de fato, uma rede de postos de abastecimento.
Os governos estaduais também precisam aderir à causa. Não se deve esquecer dos males que a poluição faz. Há quem estime os prejuízos em mais de R$ 2 bilhões. O transporte é responsável por quase 90% do CO2 emitido nas grandes cidades.
Pode parecer estranho a Petrobras participar desse empreendimento, porém não há o que temer, já que o carro elétrico não será a maioria da frota brasileira de automóveis nem em médio prazo.
Além do mais, em abril, no Chile, a Petrobras inaugurou um ponto de recarga rápida para carros elétricos. Se no Chile pode, por que não na própria nação?
Dia chegara que seremos como o Japão, que já dispõe de uma quantidade de carros elétricos totalizando 11% da frota. Sonho com um gigante desperto.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE, professor do Instituto de Ensino Superior de Catanduva