Quanta falta faz aquele futebol despreocupado dos finais de semana nos mais diversos campos de terra batida da cidade. Pelo menos naquela época, quase não havia tanto envolvimento da juventude com drogas mais pesadas. Quando muito, a rapaziada tomava umas. Não passava disso. Nem chegavam a se embebedar totalmente.
Talvez a prática sistemática de atividade física tenha contribuído para a pouca propensão a se consumir entorpecentes de qualquer tipo em tempos não muito distantes. Hoje, além da pouca movimentação, adolescentes contam com uma parafernália eletrônica das mais convidativas. Isso tem levado muita gente a optar por ficar sempre parada, usando somente um dedo para digitar letras e números em um teclado.
Não obstante o pouco interesse dos mais jovens pela prática de atividades esportivas, não deixa de ser auspiciosa a notícia da largada oficial do campeonato de futebol de várzea deste ano, no último sábado. Quem sabe os jogos possam despertar a vontade dos mais novos em praticar um esporte sadio ao invés de ficar parados pelas esquinas?
O futebol de várzea de agora chega muito próximo do amador. Pois já não há mais aqueles campos de terra batida (que nasceram nas várzeas do Rio Tietê, em São Paulo) onde trabalhadores se reuniam aos sábados para treinar. Depois, no domingo, geralmente pela manhã, aconteciam as memoráveis partidas entre os tradicionais times varzeanos. Atualmente as praças esportivas são gramadas e cercadas.
O campeonato de 2011 tem participação de 9 equipes. Num passado não muito distante, somente o bairro da Estação quase tinha esta quantidade de agremiações. O ex-goleiro Sétimo Bolela emprestou seu tino de marceneiro para a confecção das traves do Água Verde e do Caramuru, campeão de 1958. Por perto, havia ainda os campos do São Paulinho – do Luiz Cruz –, e da Congregação. Sem contar o estádio fechado e gramado do Internacional.
Depois da linha férrea, na Boa Vista ficava o campo do União. O Maracanã tinha sua base ao lado da Av. Paulino Pucci. A denominação do time se devia ao mesmo nome da avenida, na época.
Pelos lados da Cidade Nova e do bairro São José ficavam os campos do Municipal, Laranjeiras, Fulgêncio, Estrela, Portuguesinha, Santos, Universitário, São Bento, Fiorentina, Comercial e do Palmeirinhas, que a exemplo do Internacional, chegou a disputar o campeonato amador estadual em alguns anos. O clube da Rua Santos Pereira atuou até em competições de futebol profissional.
Das 17 equipes do passado, restam somente duas. Entretanto, apenas o Internacional está de volta ao campeonato de várzea para competir com outras 8 novas agremiações: Aeroporto, Franca, Leporace, Meninos da Vila, Miramontes, Vila Formosa, Vila Tião e Ypiranga.
Em que pese o acentuado crescimento da cidade, a quantidade de times diminuiu bastante. Além disso, o futebol de várzea tem participação até de ex-atletas profissionais.
Antônio Araújo
Professor de Redação - tonin.palavras@uol.com.br