Mais uma vez a educação invadiu as páginas policiais. Dessa vez não envolveu escolas, mas apenas estudantes. Também não foram os do ensino básico. Os envolvidos nesse episódio foram os universitários. O cenário foi a rua em frente a uma conhecida e tradicional república da cidade. Dois estudantes se desentenderam e discutiram durante boa parte da noite. Entre desavenças e discussões, logo um tiro invadiu a madrugada e a tragédia quase se impôs.
Não cabe aqui discutir o fato em si mesmo, nem os motivos tolos que devem ter motivado o tiro. O que interessa é refletir sobre a intensidade da violência que invade nossa sociedade e as consequências que esse cenário pode produzir em um futuro próximo, sobretudo em relação aos mais jovens, os principais protagonistas desse triste enredo.
As ruas, escolas, praças, festas e vários outros espaços antes destinados ao convívio civilizado estão se transformando em verdadeiras zonas de combate, com direito a armas de fogo cada vez mais acessíveis aos jovens. Seja por excesso de liberdade, pela ausência de punição, por conta das drogas ou pela falta de perspectivas o que se percebe é que os jovens estão um pouco perdidos. Desorientados ou sem objetivos precisos, acabam sucumbindo à tentação da algazarra e do divertimento fácil. Com a força juvenil que lhes é peculiar, desafiam a sociedade e os valores que lhes são inerentes.
Alguns dizem que o problema está na família. Desestruturadas nas formas afetivas e financeiras, muitas delas não estariam conseguindo educar seus filhos, abandonando-os unicamente às influências externas das ruas e de outros espaços. Outros culpam o sistema de ensino, pobre e ruim por excelência, incapaz de atrair, seduzir e motivar esses estudantes para o mundo dos estudos e do aprendizado.
Há, também, os que acreditam em uma somatória desses problemas, acrescentando-lhe, ainda, o excesso de liberdade, de proteção e impunidade que perpassa o mundo das crianças, dos jovens e adolescentes.
É difícil precisar todas as causas que influenciam esses acontecimentos. Talvez todas elas ocorram simultaneamente, com pesos e forças diferentes, variando conforme os contextos de vida de cada uma desses jovens.
O problema, porém, está no que fazer. Se considerarmos que os jovens são a essência do futuro e que a educação é um processo fundamental para inserir o país na economia globalizada, melhorar as condições de vida da população e diminuir a desigualdade social, vamos perceber o perigo em que país está incorrendo.
Esses problemas emocionais dos jovens de hoje e sua formação escolar deficiente com certeza terão conseqüências no futuro. Como não podemos adivinhar esse futuro, deveríamos criar novas formas de atuação junto às escolas, aos jovens e a suas famílias para podermos, pelo menos, influenciá-lo positivamente.