O primeiro sapato biodegradável do mundo com certificado foi produzido em Franca. Ele parece um sapato comum, é confeccionado sem mistérios e custa 30% a mais do que um calçado similar “convencional”. A diferença está no material utilizado. A ideia não é nova, tanto que suas partes são produzidas com diferentes tecnologias e por diversos fornecedores. A grande sacada foi juntar tudo em um único produto.
Foram dois anos de estudos, pesquisas, parcerias com grandes empresas e viagens à Europa, até que a Sapatoterapia pudesse apresentar ao mercado BiôSupercomfort. Ao retornar ao meio ambiente, seu tempo de decomposição é estimado em cinco anos, 50 vezes mais rápida que a dos calçados tradicionais, que é de 250 anos. Para comprovar o processo, representantes da Sapatoterapia enterraram dois dos sapatos biodegradáveis no quintal da empresa. A promessa é de que ele se transforme em adubo no fim de 2016.
O único traço dos calçados que deve sobrar são as linhas de suas costuras. Isso porque são feitas de poliéster (derivado do plástico). Segundo a coordenadora de marketing da Sapatoterapia, Karina Gera, mesmo esse detalhe já está para ser resolvido.
O QUE É ESPECIAL?
Tudo começa na escolha do couro, que não é um material qualquer. O couro utilizado pela empresa não é curtido no cromo - metal que acelera o processo do curtume e faz o couro mais resistente, mas que pode contaminar o meio ambiente quando descartado. Ao invés disso, ele é curtido em uma mistura alcalina, o que faz o processo durar uma semana, enquanto o convencional leva apenas um dia.
Seguindo a linha de montagem, o sapato é moldado e recebe a sola. O componente é de uma borracha especial, biodegradável, desenvolvida há cerca de dois anos pela Amazonas. A cola também é diferente, sem cheiro e a base d’água. Por fim, o forro interno é composto de fibra de bambu, que contém celulose. E o cadarço é feito em 100% algodão. Segundo a empresa, todo o material deve desaparecer completamente cinco anos após o sapato ser descartado.
CONTRAS
O Biô chegou ao mercado em apenas três modelos. A ideia é que o estilista da Sapatoterapia, Isac Gonçalves, trabalhe nas próximas coleções para transformá-los em algo que cai no gosto dos jovens.
Outro problema é que ele chegou às lojas custando cerca de R$ 200, 30% mais que os convencionais de linhas similares a dele. Para mudar esse quadro, a empresa torce para que outras empresas copiem seu projeto. “Quem tem a ganhar é o meio ambiente, não a Sapatoterapia. Fomos os pioneiros no desenvolvimento da tecnologia do processo, que não foi patenteado. A ideia é que outras pessoas comecem a se conscientizar de que o lixo também é responsabilidade do fabricante”, disse Karina Gera.
Comparação
A durabilidade e a confecção são as mesmas, mas há diferenças importantes. Confira:
Sapato convencional
Tempo de decomposição: 250 anos
Preço: modelo similar custa, em média, R$ 140
Descarte: é jogado no aterro sanitário
Sapato biodegradável
Tempo de decomposição:5 anos
Preço: Mais de R$ 200
Descarte: pode ser enterrado, transformando-se em adubo
Couro
Não é curtido no cromo - metal que acelera o processo de curtimento e o deixa maisresistente, mas contamina posteriormente o meio ambiente. Ao invés disso, o material é curtido em uma mistura alcalina, o que faz o processo durar uma semana e não um dia como o convencional.
Cadarço
É feito em 100% algodão
Sola
É feita com uma borracha especial biodegradável, desenvolvida há dois anos pela Amazonas
Linhas
Única parte do Biô Supercomfort que ainda pode ser considerado agressivo ao meio ambiente. É feita de poliéster, derivado do plástico
Cola
Não tem cheiro e é a base d’água, o que além de facilitar sua fixação, elimina sua toxidade
Forro interno
É feito de fibra de bambu, que contém celulose