A ideia não é nova. Há cerca de dois anos a Prefeitura apresentou para avaliação da Câmara de Vereadores o projeto Visual Novo. Porém, muito provavelmente em função das reclamações e da pressão exercida por uma parcela de empresários e de comerciantes da cidade que atuam no setor, a Câmara acabou recusando o projeto.
A proposta, na época, era bem mais abrangente que a apresentada mais recentemente. Ela propunha a limpeza Da cidade de todo o tipo de propaganda e anúncio produzidos por meio de faixas, banners e cartazes tipo ‘lambe-lambe’. Agora, porém, restringiu-se aos outdoors. Não é o ideal, mas é preciso reconhecer que é melhor do que nada quando se considera a preocupação com uma melhoria do visual da cidade.
Quem prestou atenção na foto de capa do Comércio, em sua edição de quinta-feira, 16/08, com certeza vai aplaudir a iniciativa da Prefeitura.
Talvez até clame por mais regulamentação. A imagem de vários outdoors, uns ao lado ou por cima dos outros, é bastante significativa. Dispostos sem a menor preocupação com as proporções do ambiente acabam por gerar uma excessiva poluição visual, agredindo não apenas o senso estético do cidadão, mas também o visual de toda a cidade.
De acordo com a Lei de Política Nacional do Meio Ambiente - Lei 6.938/81 - a estética também está inserida na definição de poluição. Derivada do grego ‘aisthetiké’ ou ‘aisthesis’, a palavra ‘estética’ significa sentir com os sentidos. Como se relaciona com o belo, quando agredida acaba por impactar negativamente nossos sentidos, deixando-nos, mesmo que de forma indireta e difícil de ser percebida, um pouco mais estressados, tensos, ansiosos e insatisfeitos.
A paisagem urbana, nesse sentido, ganha um valor ambiental, relacionando-se diretamente com a qualidade de vida e com o bem-estar da população. No ambiente cada vez mais urbano em que vivemos, essa paisagem acaba se tornando a roupagem que se apresenta aos cidadãos e a seus visitantes. Se a roupagem for de boa aparência, seus efeitos psicológicos sobre a população serão positivos, equilibrando a carga neurótica que o cotidiano das cidades insisti em nos impingir.
Se analisarmos as principais cidades européias, vamos percebê-las bem mais limpas que as nossas congêneres. Conseqüentemente, mais agradáveis e acolhedoras.
Nessas cidades, obviamente, não se proibiu a circulação de mercadorias, nem tampouco os anúncios que as precedem. O que se fez foi planejar e regulamentar a publicidade, substituindo os imensos e invasivos outdoors pela utilização criativa de todo o mobiliário urbano.
Nem por isso o capitalismo ali regrediu. Ao contrário, prosperou. Mais adequados à paisagem urbana atual, já excessiva por natureza, esses anúncios de estética mais apurada conseguiram destacar os produtos ou serviços ali anunciados.
Em comunicação, há que se levar em conta que menos pode ser mais. Quando se exagera na quantidade de informação, sobretudo em uma mídia de impacto como outdoor, perde-se a atenção do consumidor.
É bom que os empresários do ramo reflitam sobre isso antes de começar a choradeira.
Enquanto isso, a cidade agradece.